Há alguns anos em Brasília, há muitos em outros lugares do mundo, pessoas se reúnem na última sexta-feira de cada mês para colocar bicicletas nas ruas e reivindicar uma cidade mais humana e menos opressora. Para celebrar o transporte acessível e ecológico. Nas gringas, chamaram de Critical Mass, por aqui a gente apelidou de Bicicletada. A propulsão humana contra a tirania do Apocalipse Motorizado. Circulem: os cartazes, as idéias e as bicicletas.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Expresso Turístico faz primeira viagem com vagão bicicletário
“É claro que Mogi das Cruzes não possui a característica de ser uma cidade onde as pessoas passam uma semana de férias, mas, por outro lado, o turismo de um dia tem ótimas atrações e o fato de a cidade ficar a 50 quilômetros de São Paulo estimula os paulistanos a conhecerem as nossas atrações turísticas”, disse o prefeito, ao lado do chefe-adjunto de Governo, Marcus Mello, e dos secretários Eli Nepomuceno (Segurança) e Marinês Piva (Assistência Social).
O novo vagão tem espaço para acondicionar 50 bicicletas, que são colocadas em uma estrutura especial, garantindo a segurança do equipamento. As viagens regulares, a cada 15 dias, começarão em outubro e terão custo de R$ 28, além de uma taxa para o transporte das bicicletas.
Chegando a Mogi das Cruzes, o cicloturista receberá um mapa da cidade e terá a opção de passear pelos principais pontos turísticos do município ou participar de uma trilha pela Serra do Itapeti. No primeiro roteiro já definido, o ciclista, após tomar um café da manhã no clube Vila Santista, iniciará o passeio pela estrada Cruz do Século, que o levará ao Parque Municipal Natural “Francisco Affonso de Mello – Chiquinho Veríssimo”. No parque, serão apresentadas informações sobre o local e haverá uma trilha em meio à natureza. Após este passeio, os participantes voltarão ao ponto de apoio para banho, lavagem das bicicletas e almoço.
“Este é o primeiro roteiro que já está definido. Agora, estamos desenvolvendo outros três passeios com trilhas leves, médias e avançadas, que serão implantados em breve para oferecer ainda mais opções para os nossos turistas”, explicou o coordenador de Turismo da Prefeitura de Mogi das Cruzes, Fábio Barbosa.
Outra novidade é a instalação de bicicletários próximo a pontos turísticos da região central, como o Theatro Vasques, o Parque Centenário, o Museu Guiomar Pinheiro Franco e a praça Oswaldo Cruz.
O trajeto Luz – Mogi das Cruzes do Expresso Turístico foi criado pela CPTM em junho de 2009 e desde então oferece três opções de roteiros para o turista: o centro histórico, o orquidário oriental e o Parque das Neblinas. Em pouco mais de um ano, mais de 3.500 pessoas já participaram das viagens.
Mais informações sobre os passeios do Vagão Bicicletário do Expresso Turístico podem ser obtidas pelos telefones 4798-5078 e 4726-9920. (MAS)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Concurso de fotografias e desenhos de humor "Show me a reason to bike"
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Engenheiro cria avião movido a pedaladas e que bate as asas
Aeronave tem tamanho de Boeing 737, mas pesa apenas 42 kg
Um avião movido a pedaladas entrou para a história da aviação ao conseguir
bater as asas sem parar.
Criado por Todd Reichert, um estudante de doutorado em engenharia do
Instituto de Estudos Aeroespaciais da Universidade de Toronto, no Canadá, o
avião manteve a altitude e a velocidade por 19,3 segundos, percorrendo uma
distância de 145 metros a 25,6 km/h.
Desde Leonardo Da Vinci – que desenhou o primeiro ornitóptero (como é
chamado esse tipo de aeronave) em 1485 – o homem vem tentando voar igual aos
pássaros.
Antes da missão, Reichert perdeu 8 kg para facilitar o voo. Ele diz que o
avião "representa a realização de um velho sonho da aeronáutica".
A aeronave tem envergadura (distância entre as pontas das duas asas) de 32
m, algo comparável ao tamanho de um Boeing 737, mas pesa apenas 42 kg –
menos do que todos os travesseiros a bordo do avião comercial.
Chamada de SnowBird (Pássaro da Neve, em português), a máquina fez seu
primeiro voo em agosto em um clube de Ontário, no Canadá. O feito foi
testemunhado pelo vice-presidente da Federação Aeronáutica Internacional
(FAI), órgão que regulamenta os esportes aéreos e recordes mundiais da
categoria. A informação foi revelada nesta quinta-feira (23) pelo jornal
inglês Daily Mail.
O registro oficial foi pedido neste mês, e a FAI deverá confirmar o recorde
mundial em um encontro em outubro. Reichert diz que "o uso da energia
humana, seja na caminhada ou na pedalada, é um meio de transporte eficiente,
confiável, saudável e sustentável".
Como avaliar as vias ciclísiticas
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
400 mil usam ciclovias no DF
Emerson e Nadison não são exceções. Segundo dados colhidos pelo Governo do Distrito Federal em 2009, mais da metade dos ciclistas (50,92%) utiliza as vias exclusivas para ir e voltar do trabalho com mais agilidade e segurança. O presidente da ONG Rodas da Paz, Ronaldo Martins Alves, estima que atualmente cerca de 400 mil pessoas utilizem as ciclovias no Distrito Federal para alguma finalidade. Destas, entre 200 mil e 250 mil vão trabalhar usando a bicicleta.
Alves explica que a construção das ciclovias do Distrito Federal é planejada para atender às necessidades de todos os usuários. Além desses 50,92% que usam as ciclovias como meio de transporte para o trabalho, outros 13,84% vão às aulas pedalando. As pistas exclusivas também são usadas para finalidades esportivas (8,86%), de lazer (14,35%), assuntos pessoais (6,93%), compras (2,14%) e outros (2,97%). “Mais do que atender o lazer, a ideia do sistema cicloviário deve ser montar um esquema severo de mobilidade sustentável para essas pessoas que trabalham”, explicou ativista.
Além de gerar economia, o transporte por bicicleta garante aos trabalhadores mais qualidade de vida, além de menores danos ao ambiente, com a redução de emissões por parte dos ônibus e automóveis que deixam de circular. Para isso, porém, é essencial que os trabalhadores encontrem vias seguras e bem sinalizadas no caminho até o trabalho. “Quem depende da bicicleta para economizar dinheiro e comprar comida no final do mês tem que ser priorizado”, diz o presidente da ONG Rodas da Paz.
Conforme dados o levantamento feito pelo GDF, a principal razão para que os usuários optem pela bicicleta é a economia (47,27%) em relação a outros meios de transporte. Outros 16,7% preferem utilizar a bicicleta para várias finalidades em razão da saúde proporcionada pelo exercício físico. Maior parte dos usuários das ciclovias é formada por trabalhadores empregados (41,34%), estudantes (24,17%) e autônomos (15,72%).
Mais segurança no caminho
Segundo a ONG Rodas da Paz, nos últimos 14 anos, 723 ciclistas morreram no trânsito do Distrito Federal. Somente nos cinco primeiros meses de 2010, foram registradas 18 mortes pelo Detran. Na última quarta-feira (22), no Dia Mundial sem Carro, além de estimular o uso da bicicleta como veículo alternativo, a organização alertou os ciclistas para algumas medidas simples – como o uso de roupas claras ou chamativas – que garantem maior segurança no percurso (veja dicas abaixo).
No sentido de oferecer mais segurança aos ciclistas, a principal medida adotada pelo GDF é a ampliação da rede de ciclovias. Atualmente, o Distrito Federal conta com 160 quilômetros de vias concluídas. A meta do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) é chegar ao fim de 2010 com 300 quilômetros de pistas prontas, ligando o Plano Piloto às demais cidades do DF. Nos próximos anos, a meta é do Distrito Federal é de 600 quilômetros. Segundo o Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta do Ministério das Cidades, hoje, as ciclovias existentes em todo o Brasil somam mais de 2,5 mil quilômetros de extensão.
Conforme o presidente da ONG Rodas da Paz, uma campanha adequada de educação no trânsito (confira algumas dicas abaixo) – aliada a um projeto de ciclovias definitivo – evitaria muitos acidentes. “Isso é o que estamos buscando para diminuir os acidentes”, afirma Ronaldo Martins Alves. “As ciclovias que foram terminadas foram muito bem planejadas e trouxeram benefícios para a população. Mas agora estamos aguardando o término do projeto”.
Enquanto isso, os moradores das regiões já beneficiadas comemoram as melhorias trazidas pelas ciclovias concluídas. Para a moradora de Águas Claras Neuza Andrade, 47, a ciclovia trouxe segurança e oportunidade de lazer. “Venho de ônibus, desço na EPTG e sigo caminhando até minha casa”, diz a servidora pública. “A pista é segura e ainda faço minha caminhada no fim da tarde. Antes, andávamos no acostamento da estrada ou no barro”. Além das ciclovias (vias exclusivas), o Distrito Federal conta ainda com mais de 60 quilômetros de ciclofaixas (vias compartilhadas) para pedestres e ciclistas.
Para ir e vir com tranquilidade
Hábitos simples são muito úteis no dia-a-dia do ciclista. Veja as dicas abaixo e fique atento:
Sempre e em qualquer lugar
• Seja educado
• Obedeça às leis de trânsito
• Tente antecipar a reação do trânsito. Olhe longe. Pense adiantado
• Se possível, evite ruas e avenidas movimentadas
• Não faça ziguezague. Procure pedalar mantendo uma linha reta
• Use roupas claras ou de cores chamativas, sempre. Elas facilitam que o ciclista seja visto, evitando acidentes
• Utilize luzes traseiras (vermelhas) e dianteiras (brancas). Elas auxiliam na visualização do ciclista. Se isso não for possível, coloque refletores. São de fácil acesso e também ajudam na visualização. Mantenha-os limpos
• Use capacete sempre, mesmo transitando em baixa velocidade. O equipamento protege a cabeça, diminuindo os riscos de o ciclista sofrer graves ferimentos, caso colida com outro veículo
• Utilize sapatos fechados. Estes calçados são os mais indicados para pedalar. Sandálias abertas podem prender o pé, machucar ou dificultar os movimentos
• Não pedale muito próximo ao meio fio
• Não fique olhando para trás, preocupe-se com o que vem pela frente. Em menos de 1% dos acidentes, o ciclista sofre uma colisão traseira. Só olhe para trás quando for realmente necessário
• Mantenha a bicicleta (e os seus dispositivos de freio, tração e sinalização) em bom estado
• Não use aparelhos portáteis de som (walkman, rádio ou MP3 player) com fone de ouvidos
• Aprenda a ouvir o trânsito
• Em descidas fortes, evite deixar a bicicleta embalar demais
• Fique atento com mudanças de piso e suas diferentes aderências. Tampas de bueiro em aço ou sinalização pintada no solo quando molhadas escorregam muito
• Nunca chegue correndo em cruzamentos, esquinas ou saídas de estacionamentos
• Esteja sempre com a marcha correta engatada. Antes de parar a bicicleta nos cruzamentos, engate uma marcha que lhe permita arrancar rápido
• Próximo a árvores pode haver raízes perigosas. Evite passar muito próximo delas
• Pedale tranqüilo. Ande de forma que seu comportamento transmita segurança aos outros
Em relação aos motoristas
• Sempre sinalize suas intenções. Se possível, sinalize com o olhar (para o motorista ou pedestre) qual caminho pretende seguir. Se não é possível ver o olho do motorista, olhe para as rodas dianteiras do carro
• Ande na mão de trânsito. O motorista de um veículo não está preparado para encontrar alguém que esteja na contramão
• Mantenha-se à direita da mão de direção
• Não pedale onde o motorista não pode vê-lo
• Nunca force uma situação contra um carro, moto ou ônibus
• Com chuva ou chão escorregadio diminua a velocidade. A chuva também prejudica a visibilidade de todos, inclusive dos motoristas. Sob chuva, redobre a atenção
• Tenha cuidado com portas de carro se abrindo
• Motoristas de veículos grandes não têm boa visibilidade externa. Portanto, o ciclista deve guardar distância
Em relação a pedestres e outros atores
• Respeite o pedestre, sempre. Pedestres têm prioridade sobre ciclistas. Lembre-se que você também é um pedestre. Respeite para ser respeitado
• Um pedestre pode mudar de direção de maneira muito brusca. Aproxime-se devagar, avisando sua chegada e passe guardando distância
• Fique atento com patins e skates. Eles também mudam de direção muito rápido
• Cachorros e gatos têm reações inesperadas. Evite assustá-los
Fonte: Rodas da Paz
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Transportes: vias engarrafadas e sistema público ineficiente
DF já tem 1,2 milhão carros, e a frota cresce em ritmo acelerado, aumentando os engarrafamentos e diminuindo a qualidade de vida. Usuários do transporte público reclamam da precariedade do serviço.
Moradoras de Samambaia, a doméstica Eleonoura Silva Resende e a secretária Fernanda de Freitas não se conhecem, mas enfrentam todos os dias o mesmo transtorno para chegar ao trabalho, no Plano Piloto. Elas não têm carro e acordam muito cedo para chegar no horário. São mais de 60 quilômetros para ir e voltar. Eleonoura vai de ônibus; Fernanda, de metrô.
Eleonoura espera. O primeiro desafio é conseguir entrar no ônibus lotado, desgaste comum a todos que dependem do transporte público. “Todo dia vai todo mundo pendurado”, reclama um passageiro.
Do outro lado da cidade, para chegar ao metrô, Fernanda também passa por aperto no microônibus. “É sempre assim, todos dias”, conta. Tem passageiro que quase senta no colo do motorista. “Tem pouco ônibus para roda”, desabafa o ajudante de pedreiro Valdir Mesquita.
O governo diz que são quase três mil ônibus circulam no DF, distribuído em 967 linhas. Para Eleonoura, esses números que não fazem diferença. “Todos os dias eu vou em pé”, relata. “Tem dia que nem o pé levanta do lugar”, detalha o auxiliar de serviços gerais, Manoel de Souza.
Enquanto isso, Fernanda sai do aperto do microônibus para se espremer no metrô, situação vivida por 160 mil passageiros, que pagam tarifa de até R$ 3 para se apoiar nos poucos espaços que sobram nos vagões. “Às cinco, seis horas da tarde, você tem que esperar dois, três trens passar pra você conseguir entrar”, conta a babá Andréa da Silva. Atualmente, 42 km de linhas ligam o Plano Piloto a apenas cinco cidades. São 24 estações e 21 trens.
Voltando ao ônibus, Eleonoura consegue um lugar, mas a situação desanima: o veículo tem fiação exposta e defeitos na janela, na porta e na campainha. O governo afirma que 1.950 ônibus, o que corresponde a 64% da frota, foram renovados nos últimos dois anos, mas os passageiros questionam esses dados. “A gente paga caro pAra ir em pé, às vezes se machucando. O pessoal dá cotoveladas, então, o jeito seria colocar mais ônibus”, avalia a servente Edimeire da Silva Pereira.
Apesar de não ter aumento há quase cinco anos, a passagem do DF é a mais cara do país, chega a R$ 3 em algumas linhas. Os problemas se multiplicam e os passageiros também. Por dia, cerca de um milhão de pessoas utilizam o transporte público no DF, parte delas esquecida pelo sistema. “Passa na televisão [ônibus] com rampa, mas eu nunca peguei um ônibus com rampa”, diz a dona de casa Maiara de Jesus Silva.
O DFtrans diz que 950 ônibus com rampa circulam no DF, o que corresponde a um terço da frota, mas esse números não convencem Maiara, que tem um filho de quatro anos portador de necessidades especiais. “Se estiver só, eles não param. Os que param já aceleram antes de eu colocar a cadeira direito, não têm paciência”, reclama.
Fernanda saiu do metrô e pegou mais um ônibus. Em uma hora e quarenta minutos, ela pegou três conduções e já chega no trabalho exausta. Eleonoura, que pegou um ônibus só, gastou uma hora e vinte minutos para chegar no seu destino.
Sem alternativas, a população recorre ao transporte próprio, que mal funciona. Quem pode, tira o carro da garagem. A frota do DF só aumenta, mas, em vez de conforto, o motorista acaba ganhando muita dor de cabeça.
Proporcionalmente, o DF tem a frota que mais cresce em todo país. São cerca de 300 carros novos por dia, e o número de veículos dobrou na última década. De acordo com o Detran, já mais de um milhão de veículos, o que daria para transportar toda a população de uma vez só - e com folga.
Que direção tomar? Para o especialista em trânsito David Duarte, alargar vias e construir viadutos ajuda, mas incentiva o uso do carro - o que piora a situação a longo prazo. “Não existe solução para o trânsito sem um investimento para melhorar substancialmente a qualidade do transporte público. O remédio para isso é investir menos em vias pra carros e investir mais em outras formas de mobilidade”, defende.
A auxiliar de serviços gerais acredita que as eleições podem mudar esse quadro. “A gente tem que saber em quem votar”, diz. “Votar em uma pessoa que não esteja querendo ganhar um cargo, mas queira trazer algo melhor pra sociedade”, aposta o recepcionista Jadson Antônio.
Nesta sexta-feira (24), a série especial sobre as eleições vai falar sobre as carências de opções de lazer e cultura no DF.