Há alguns anos em Brasília, há muitos em outros lugares do mundo, pessoas se reúnem na última sexta-feira de cada mês para colocar bicicletas nas ruas e reivindicar uma cidade mais humana e menos opressora. Para celebrar o transporte acessível e ecológico. Nas gringas, chamaram de Critical Mass, por aqui a gente apelidou de Bicicletada. A propulsão humana contra a tirania do Apocalipse Motorizado. Circulem: os cartazes, as idéias e as bicicletas.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Oscar Niemeyer critica segregação em Brasília
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http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u666292.shtml
Oscar Niemeyer falou também sobre a nítida separação de classes em Brasília e resumiu: "chega na cidade satélite, é uma merda".
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Cidades em Colapso
Uma cidade flexível, repleta de parques por diversos bairros, transporte fácil e qualidade de vida acessível a todos os habitantes. Essa metrópole ideal, imaginada pelo arquiteto Christian de Portzamparc, é quase uma utopia, frente aos graves problemas enfrentados por locais tão diversos como São Paulo, Paris e Pequim.
"Paris, assim como São Paulo, está à beira do colapso", afirma Portzamparc, 65, o principal arquiteto em atividade na França e ganhador do Prêmio Pritzker (o Nobel da arquitetura), no ano de 1994.
"Quando eu falo na França que Paris vive os mesmos problemas de São Paulo, as pessoas acham que é um exagero, mas não é", diz ele. "As metrópoles são fenômenos novos. Suas dificuldades devem ser enfrentadas de novas maneiras."
À frente de um dos dez escritórios de arquitetura contratados pelo governo Sarkozy para reformular o urbanismo da Grande Paris em um período de 20 a 40 anos (leia mais ao lado), Portzamparc esteve em Brasília na segunda e na terça para participar de seminário internacional sobre as metrópoles.
De lá, pela TV, viu o caos que se abateu sobre São Paulo após temporal, na terça. "É uma situação esperada. Privilegiar grandes vias expressas [como as marginais] e o transporte individual termina por criar coisas desse tipo."
Para Portzamparc, as grandes avenidas criam, pouco a pouco, bairros-enclaves, que não se relacionam com o restante da cidade de forma sustentável. "Em Paris, por exemplo, essa circulação expressa cria setores segregados. Isso cria espaços sem futuro, que vivem unicamente de um tipo de atividade. Uma cidade sustentável tem de ser flexível."
Por isso, o arquiteto observa semelhanças entre as atuais configurações da capital francesa e seus arredores e da Grande São Paulo. "A separação física e social, os problemas gerais de transporte, resultaram, em 1995, na grande onda de violência pela qual passaram Paris e outras cidades francesas. São Paulo não passou por isso, mas também vive um problema grave de circulação."
Pequim, que o urbanista visitou recentemente, também está optando por um modelo errado, segundo ele.
"É uma loucura, eles têm seis ou sete autoestradas periféricas e não investem nada em transporte público. Por que não? Porque todas as indústrias automobilísticas estão lá e vão investir em décadas de crescimento do mercado automobilístico na China, uma coisa imensa."
Soluções
O conceito de cidade flexível proposto por Portzamparc para Paris reinventa uma antiga ideia sua, a de quadra aberta, junto de grandes intervenções sobre o tecido urbano da capital e seus arredores.
O plano cria "arquipélagos" verdes, parques espalhados por diversas regiões e espaços ociosos de linhas férreas.
Transporte coletivo é outro foco do programa, com a construção de um monotrilho (espécie de metrô) sobre o atual anel periférico da Grande Paris, além de outras linhas para integrar todas as cidades.
"Falo em quadras abertas há 20 anos, cujo centro é a rua, uma invenção extraordinária. Temos de revalorizar a rua, que é a verdadeira organização espacial de democracia, onde pobres e ricos andam lado a lado."
Brasil
Fascinado pela arquitetura brasileira feita por nomes como Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy (1909-1964, que projetou o MAM Rio), "a melhor do mundo quando a estudava na adolescência, nos anos 60", Portzamparc diz que espera que seu projeto no Rio, a Cidade da Música, seja concluído no final do ano que vem.
"Seria uma coisa desastrosa se não a finalizassem. Existem detalhes de acústica muito específicos que devem ser seguidos. O público de um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Osesp, por exemplo, merece receber um bom som."
| Editoria de Arte/Folha Imagem | ||
Matéria publicada na Ilustrada de 12 de stembro http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u622924.shtml |
quinta-feira, 16 de abril de 2009
A bicicletada e o projeto segregador de Brasília.
A Bicicletada, para além de uma coincidência organizada que reúne pessoas empolgadas e entusiastas da cultura da bicicleta urbana, é também um espaço para refletirmos pedalando os espaços públicos e a organização social das nossas cidades.
Brasília possui um desenho que se esforça em segregar as pessoas, isolar. Os espaços públicos são reduzidos a praças vazias que exaltam o poder. Diversão é shopping center. A cultura de hipervalorização histérica por automóveis também valoriza essa desumanização. A falta de ônibus, de calçadas, de acesso é a receita para faltar pessoas. E o governo Arruda acompanha esse movimento. A carta dele vem abaixo.
Cada vez que as pessoas de Brasília conseguem de alguma maneira romper essa estrutura opressora e criar de espaços para comunhão e o encontro público, como é o caso de todas as últimas sextas do mês na Bicicletada, um mero passeio se transforma em um momento mais que especial.
Nos vemos para mais um desses, sexta que vem.
Até lá.
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Brasília, terça-feira, 03 de março de 2009
Plano Piloto
Considerei interessante a matéria deste domingo que mostra os desvios do Plano Piloto que ameaçam a qualidade de vida da população. Mas lamento não ter sido lembrado que: 1. Em dois anos, meu governo tirou as 6 mil vans piratas de circulação. 2. Fechou as pousadas da W3, onde havia desde motéis até pensões, todas sem alvará de funcionamento. 3. Retirou os camelôs do Grancircular, da Rodoviária, do Conjunto Nacional, do Conic, do Setor Comercial e construiu o Shopping Popular. 4. Proibiu os bares e casas noturnas com música ao vivo de ficarem abertos após as 2 horas, em acordo que contou com a participação dos moradores. 5. Retirou os outdoors da área tombada. 6. Construiu a estação do Metrô da 108 Sul e estão em construção as estações da 102 e da 112. 7. Retirou os moradores de rua do Plano Piloto, levando-os para os albergues. Retira, todos os dias, as crianças de rua, a maioria vinda do Entorno. 8. Investiu mais de R$ 100 milhões na melhoria da iluminação pública do Plano Piloto. 9. Fez as ciclovias do Lago Sul e do Lago Norte. 10. Não permitiu nenhuma nova invasão de área pública, ou grilagem de terra, ou condomínio irregular no DF. Posto isso, penso: e se todas essas medidas não tivessem sido tomadas? Ao lado das irregularidades acumuladas em décadas, seria interessante mostrar também o esforço do GDF na correção dos desvios, feita sob a coordenação da Secretaria de Ordem Social e Fiscalização, que vai continuar atuando.
· José Roberto Arruda, governador do DF