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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

COLAPSO

Trânsito do DF caminha rumo a um colapso e é desafio para o próximo governo

Congestionamentos, acidentes e baixo número de fiscais são alguns dos problemas que aumentam à medida que a frota se multiplica no DF. Se o atual ritmo de crescimento continuar, em 2017, a capital contará com nada menos que 2 milhões de veículos

Helena Mader

Publicação: 08/12/2010 07:26 Atualização:

Atualmente, estão registrados na capital do país 1,22 milhão de veículos: engarrafamentos cada vez mais comuns  (Monique Renne/CB/D.A Press )
Atualmente, estão registrados na capital do país 1,22 milhão de veículos: engarrafamentos cada vez mais comuns
Todos os meses, 5 mil brasilienses são habilitados para conduzir nas ruas da cidade e 10 mil novos carros entram em circulação. Esse número crescente de motoristas e veículos pode ser notado com facilidade: as vias do Distrito Federal estão cada vez mais congestionadas. Com a ampliação da frota, os acidentes fatais também se multiplicam. Mesmo com a lei seca e as blitzes frequentes, a quantidade de vítimas do trânsito voltou a crescer em 2010, depois de um longo período de queda. De janeiro a outubro deste ano, 364 brasilienses perderam a vida em colisões e atropelamentos. Para especialistas, é preciso investir maciçamente em educação e fiscalização para acabar com a violência no trânsito. Soma-se a isso a necessidade de investimentos em obras viárias e em transporte público para evitar que o tráfego da capital federal pare.

Em 2008, a frota de Brasília chegou a um milhão de carros. De lá para cá, mais de 222 mil veículos foram emplacados pelo Departamento de Trânsito do DF (Detran). Se o ritmo de crescimento anual continuar equivalente ao registrado na última década — 7,5% ao ano em média — em 2017, a frota da capital federal vai chegar a 2 milhões de carros. Sem soluções efetivas para o problema, o trânsito vai parar muito antes disso. Somente uma melhoria efetiva dos transportes públicos, que convença os motoristas brasilienses a deixar seus carros em casa, vai melhorar a fluidez nas ruas do DF.

O crescente número de veículos aumenta também a dificuldade de fiscalizar as pistas brasilienses. Para controlar a frota atual e diminuir o risco de acidentes, seriam necessários 1,2 mil agentes — um para cada mil carros. Mas hoje, somando o efetivo do Detran, do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), são apenas 800 agentes em atuação na vias da capital federal. É preciso incrementar em quase 50% o total de fiscais nas ruas para atender a demanda.

O diretor de Segurança do Detran, Silvaim Fonseca, defende mais autonomia como solução para os problemas. “Os órgãos de trânsito precisam ter mais autonomia administrativa e financeira para tocar os projetos e contratar um efetivo compatível com as necessidades de fiscalização e de realização de campanhas.”

Silvaim Fonseca lembra que os investimentos em segurança de tráfego representam também um ganho para a saúde pública. Os pacientes acidentados normalmente são mais graves e passam mais tempo internados nos hospitais. “Fizemos um levantamento que mostrou que cerca de 50% dos leitos são ocupados por pessoas que sofreram acidentes de trânsito. De acordo com o Ipea, um paciente pode custar mais de R$ 180 mil, tirando os gastos com reabilitação”, justifica o diretor
Raí mora em Valparaíso: uma hora dirigindo até chegar ao trabalho, na L2 Sul (Monique Renne/CB/D.A Press)
Raí mora em Valparaíso: uma hora dirigindo até chegar ao trabalho, na L2 Sul
de Segurança do Detran. “Além disso, nossas operações contribuem para a segurança pública, já que, durante as blitzes, identificamos foragidos, carros clonados e outros problemas”, finaliza.

Educação
Para a especialista em engenharia de tráfego e segurança de trânsito Eva Vider, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é preciso melhorar os transportes públicos, a engenharia das vias, a sinalização e a fiscalização. “O futuro governo tem como grande desafio reduzir os acidentes. Para isso, é preciso atuar firmemente na implantação de programas e na liberação de recursos destinados a programas de segurança no trânsito”, diz. “O número de carros e de motoristas cresce muito e é necessário preparar os futuros condutores. O trabalho de fiscalização deve ser aliado à educação, para que haja conscientização efetiva.”

A operadora de telemarketing Ângela Vieira, 23 anos, mora no Núcleo Bandeirante e trabalha na Asa Norte. Ela leva cerca de meia hora para fazer o trajeto entre sua casa e o escritório. Para tentar reduzir o tempo do percurso, Ângela está sempre em busca de alternativas. “Às vezes, saio um pouco mais cedo, ou um pouco mais tarde, para tentar escapar. Mas já desisti, sempre pego engarrafamento”, lamenta. Apesar dos transtornos, ela não cogita deixar o carro em casa, pois diz que, se fosse de ônibus, o trajeto seria mais demorado.

Para o representante de vendas Raí Lopes Araújo, 27 anos, o tempo gasto com deslocamento é bem maior. Ele leva cerca de uma hora entre Valparaíso, na divisa do DF com Goiás, e a L2 Sul. “O trânsito fica mais complicado na entrada do DF, perto de Santa Maria. Daí em diante, se não tiver acidente, o tráfego até que flui, dependendo do horário”, conta.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Entre janeiro e outubro, brasilienses compraram um carro a cada 4 minutos

do Correio.

Entre janeiro e outubro, brasilienses compraram um carro a cada 4 minutos
A frota brasiliense, com mais de 1,2 milhão de automóveis, ganhou o reforço de 96.265 unidades 0km. Confirmadas as previsões do setor, até dezembro outras 17 mil estarão nas ruas da capital federal

Diego Amorim

Publicação: 10/11/2010 08:46 Atualização: 10/11/2010 08:48

Quando quita um carro, a advogada Ana Flávia compra outro novo: 'O crédito farto permite isso' (Fotos: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
Quando quita um carro, a advogada Ana Flávia compra outro novo: "O crédito farto permite isso"
Haja rua para tanto carro. Dados obtidos com exclusividade pelo Correio reforçam que a volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não arrefeceu a venda de veículos novos no Distrito Federal. Nos primeiros 10 meses do ano, 96.295 automóveis deixaram os pátios das concessionárias, segundo o balanço mais recente do sindicato do setor. Equivale dizer que um carro foi vendido a cada quatro minutos e meio — isso se as lojas funcionassem 24 horas, de segunda a segunda.

Em 2009, 113.686 veículos novos ganharam as vias da capital federal. A frota atual, segundo o Departamento de Trânsito (Detran), ultrapassa 1,2 milhão. Em ritmo frenético, as concessionárias devem comemorar ao fim deste ano o melhor desempenho da história. Serão pelo menos mais 17 mil carros rodando em Brasília até dezembro, caso se confirmem as previsões do setor. A ordem é bater recordes nos próximos dois meses.

No mês passado, o total de unidades comercializadas chegou a 10.414. Houve um recuo de 2,6% na comparação com setembro e de 7,2% em relação a outubro passado. Mesmo assim, as vendas contribuíram para que o acumulado do ano registre, até aqui, um avanço de 0,8% ante o mesmo período do ano passado. A tendência, sustenta o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Autorizados do DF (Sincodiv-DF), Ricardo Lima, é que os números de 2010 superem os de 2009.

Tradicionalmente, muita gente pensa em trocar de carro no fim do ano. E com o 13º salário na conta, fica mais fácil tomar a decisão. “Mesmo tendo como referência um ano extraordinário como 2009, por conta do IPI reduzido, provavelmente vamos vender mais este ano”, comenta Lima, antes de lembrar que o consumo de veículos no Brasil só não é maior do que na China, nos Estados Unidos e no Japão. “E em 2011, não restam dúvidas, vamos continuar crescendo”, acredita.

O bom momento da economia brasileira, associado ao crédito em abundância e às facilidades de pagamento, deixa eufóricos vendedores e clientes. Em meia hora — ou antes disso — o cadastro é aprovado e o interessado pode levar para casa um veículo parcelado em até seis anos, sem nada de entrada. “As montadoras estão oferecendo bonificações agressivas. Ninguém no mercado está disposto a perder venda”, comenta Estenio Costa, gerente da Bravesa, concessionária da Volkswagen.

Brindes
Desde janeiro, 10 novas lojas de veículos abriram as portas no DF: já são 83 no total. A cada ano, mais marcas expandem seus negócios na capital do país, apostando no potencial de compra do brasiliense. Em média, 75% dos carros vendidos em Brasília são financiados. As taxas de juros do mercado têm variado entre 0,99% e 1,70%. Os brindes — emplacamento, IPVA, conjunto de tapetes, som, frisos — viraram itens obrigatórios na negociação. “Se não oferecer nada, o cliente não leva”, conta Costa.

A advogada Ana Flávia Almeida, 31 anos, levou um Voyage ontem, com brindes inclusos. Será o segundo carro financiado da família. “É assim: quando termina de pagar um, compro outro. O crédito farto permite isso”, avalia ela, que conseguiu diminuir o valor inicial do carro em R$ 3 mil, após pesquisar preço em três concessionárias.

Depois de perder o carro em um acidente, André Di Macedo adquiriu um zero, financiado em 36 parcelas: 'É muito fácil comprar carro hoje' (Fotos: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
Depois de perder o carro em um acidente, André Di Macedo adquiriu um zero, financiado em 36 parcelas: "É muito fácil comprar carro hoje"
O produtor de eventos André Di Macedo, 28 anos, também está rodando na cidade de carro novo. Ele bateu o antigo, que teve perda total. Depois do susto, ao fazer as contas com o seguro, optou por comprar um 0km. “É muito fácil comprar carro hoje. Parcelei em 36 vezes e o valor cabe no meu orçamento”, diz Macedo. Especialistas em educação financeira costumam lembrar que os gastos com veículo não se resumem ao financiamento. Acumulam-se despesas com seguro, IPVA, revisão e manutenção, combustível, estacionamento.

Antes de chegar ao fim do ano em clima de festa, as concessionárias passaram por momentos de indefinição ao longo de 2010. Com a volta do IPI, em abril, o movimento nas lojas diminuiu, como era de se esperar. Ninguém arriscava dizer como seria o desempenho no segundo semestre. “O que vemos hoje é uma certa estabilização, porque ainda estamos retomando as vendas. A expectativa maior é, de fato, com novembro e dezembro”, pondera Alexandre Sena, gerente da Jorlan, da General Motors.

Projeção
De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgado no fim do mês passado, o montante injetado na economia local com o 13º salário em 2010 será de R$ 4,15 bilhões, um volume 24% superior ante 2009. Cerca de 1,4 milhão de trabalhadores serão beneficiados.

Desoneração
Com a crise econômica mundial no fim de 2008, o governo federal decidiu reduzir o IPI para estimular a venda de carros novos. A desoneração deveria ter acabado em dezembro passado, mas foi prorrogada até março deste ano com a intenção de manter o mercado aquecido. Montadoras pressionam o governo para que a redução seja definitiva para modelos flex.

Palavra de especialista
Alto risco de desconforto


“Os números revelam a velha ideia do sonho americano, em que cada um corre atrás do seu sonho individual, no caso o carro. Essa tendência moderna de individualização deixou de ser uma boa. Estamos todos parados nos engarrafamentos por esse motivo. Em países da Europa, as pessoas já perceberam isso. Aqui, ainda não. O transporte individual, obviamente, ocupa mais espaço nas ruas. E em Brasília é muito difícil ver algum veículo com mais de dois ocupantes. É preciso mudar o raciocínio de transporte e o padrão do transporte coletivo. As pessoas compram carros porque não confiam no transporte coletivo. Se nada for feito, em menos de 10 anos estaremos numa situação pior que a de São Paulo. E rodízio não será solução, como não foi na capital paulista.”

Flávio Dias, professor do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes da Universidade de Brasília (Ceftru/UnB)

Mercado aquecido

Vendas em 2010

Janeiro - 6.753
Fevereiro - 7.569
Março - 12.378
Abril - 10.408
Maio - 8.118
Junho - 8.674
Julho - 10.001
Agosto - 11.287
Setembro - 10.693
Outubro - 10.414

Acumulado do ano (janeiro-outubro)
2003 - 32.076
2004 - 37.683
2005 - 41.165
2006 - 52.975
2007 - 69.996
2008 - 81.591
2009 - 95.523
2010 - 96.295

Ranking da preferência (janeiro-outubro)

Fiat - 26.266
Volkswagen - 20.903
General Motors - 13.269
Ford - 7.553
Renault - 5.021
Honda - 4.207
Hyundai - 3.583
Toyota - 2.905
Citroën - 2.431
Peugeot - 2.297

Fonte: Sincodiv-DF

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Parte das obras do VLT serão suspensas


As obras relativas ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) serão suspensas. A interrupção é resultado de audiência judicial, realizada na tarde de ontem (15/12) e presidida pelo Juiz de Direito Carlos Divino Rodrigues, com Promotores de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística e de Defesa do Meio Ambiente e representantes da Procuradoria-Geral do DF, do Metrô e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio-Ambiente (Seduma). Apenas as obras entre o pátio de manutenção do VLT e o viaduto do Setor Policial Militar Sul continuarão, para evitar mais transtornos no tráfego da área até a data de nova audiência judicial, a ser realizada em 10 de fevereiro do próximo ano.

Os Promotores de Justiça da Prourb e da Prodema Paulo Leite Farias, Larissa Bezerra de Almeida e Ana Carolina Marquez apresentaram proposta de conciliação na qual exigem que o GDF faça o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) referente aos trechos 2 e 3 do VLT e a avaliação ambiental do trecho 1. O MPDFT quer ainda a realização de audiência pública, após os resultados dos estudos técnicos, para apresentar o projeto à população local.

Nesse contexto, a audiência pública do VLT, que seria realizada no próximo dia 21 de dezembro, foi adiada até a finalização dos estudos exigidos pelo MPDFT.

http://www.mpdft.gov.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=2146&Itemid=1

Oscar Niemeyer critica segregação em Brasília

curioso o criador das praças vazias falar assim de sua criatura.

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http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u666292.shtml

Oscar Niemeyer falou também sobre a nítida separação de classes em Brasília e resumiu: "chega na cidade satélite, é uma merda".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Estão querendo oficializar a invasão automotiva das áreas verdes...

Brasília, quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Contra as vagas em áreas verdes

Luísa Medeiros

Cadu Gomes/CB/D.A Press - 4/11/09


Estacionamentos nas pontas das quadras: veto do Iphan e da Seduma


A proposta de criar estacionamentos nas áreas verdes das pontas das quadras comerciais do Plano Piloto não deve sair do papel. A medida alternativa para garantir o fluxo de clientes no comércio – que reduziram o movimento após a fiscalização contra a fila dupla do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPtran) – foi desaprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma). A justificativa dos representantes dos órgãos é a mesma: criar bolsões na área bucólica, prevista no projeto de criação de Brasília, fere o tombamento da cidade moderna.

O entendimento foi exposto em reunião realizada ontem na sede da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), no Setor Comercial Sul. A proposta foi apresentada pela entidade em conjunto com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar) na semana passada. O argumento usado pelos comerciantes é que, depois da Operação Fila Dupla, iniciada neste segundo semestre do ano, o faturamento das lojas caiu cerca de 20% e a expectativa é que as vendas de Natal tenham queda também. “É uma solução provisória para evitar a perda de faturamento”, afirma o presidente do Sindhobar, Nadim Haddad.

Até então, havia uma sinalização positiva das secretarias de Segurança Pública e da Ordem Pública e Social em viabilizar a ideia. Ontem, o Executivo foi representado na reunião pela chefe de gabinete da Administração de Brasília, Eliana Klarmann, que preferiu discutir mais o assunto, sob o ponto de vista técnico, antes de dar uma posição. Para os representantes dos moradores, a proposta é primária e não resolveria o problema do enorme número de carros nas ruas da capital, além de agredir o tombamento da capital.



O número
40
Total de quadras comerciais onde a falta de vagas nos estacionamentos é considerada crítica, segundo a Associação Comercial do DF

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

carros demais!

http://www.correiobraziliense.com.br/impresso/

Brasília, domingo, 08 de novembro de 2009

TRÂNSITO
É carro demais

Frota de Brasília terá crescimento recorde em 2009: pelo menos 80 mil carros entrarão em circulação apenas este ano. Quantidade de motos triplicou desde 2001

· ADRIANA BERNARDES

Carlos Silva/CB/D.A Press


EPTG, saída do Guará, às 7h50 de sexta-feira: um dos gargalos do trânsito

Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press


Antônio atribui o excesso de carros à má qualidade do transporte público


O Distrito Federal vai bater, este mês, o recorde de registro de carros, motos, ônibus e caminhões. A frota atual é de 1.127.260. Desse total, 72.142 veículos (6,3%) começaram a circular entre janeiro e outubro. Mantido o crescimento médio, até o fim de novembro o Departamento de Trânsito (Detran) terá registrado cerca de 80 mil novos veículos somente em 2009, contra 74.371 ao longo de todo o ano passado. O ritmo acelerado vem acompanhado de congestionamentos cada vez mais frequentes, além da falta de lugar para estacionar e da piora da qualidade do ar, além da poluição sonora.

Na capital do país, a relação carro por habitante está entre as mais altas do Brasil. Atualmente, é de um veículo para cada 2,3 moradores. Na casa do engenheiro eletricista Antônio Soares, 56 anos, a proporção é ainda maior. São cinco adultos, cada um com seu carro. E na rua onde ele mora, o caso dele não é exceção. “Aqui há cerca de 40 casas. A média de carros é de quatro por residência. Ao todo devem ser uns 150 carros”, calcula. “Em casa somos em cinco adultos, sendo que quatro têm ocupação profissional em locais diferentes no Plano Piloto. Não vejo nenhuma iniciativa do governo para colocar transporte público onde eu moro”, observa.

Antônio relata que no Lago Norte o ônibus circula apenas na avenida principal (DF-009). Moradores das QLs teriam de caminhar cerca de 2km até a pista principal para pegar o coletivo. “Ninguém deixa o carro em casa para andar à noite, debaixo do sol ou chuva para usar ônibus velho, com higiene repugnante e que não é pontual. Esses são três quesitos para conquistar a credibilidade dos usuários”, defende.

Esses problemas não ocorrem apenas no Lago Norte. A secretária Isabel Cristina dos Santos, 35 anos, trabalha a 5km de casa, no comércio do Sudoeste. O percurso é feito de carro, mas poderia ser de ônibus. “Até tentei. Mas eles (ônibus) não passam no mesmo horário. Se chegar atrasada, perco o emprego”, diz. Já Ana Maria Oliveira Santos, 22 anos, não tem opção. A moradora de Valparaíso (GO) trabalha como cabeleireira em um salão do Sudoeste. Sai de casa às 6h para chegar no emprego às 8h30. Nem sempre consegue. “Ônibus quebra, não passa. Essas coisas. E o preço é absurdo”, reclama.

Maior crescimento
Levantamento do Correio junto aos Detrans de sete capitais, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, revela que de 2001 a 2009 — período em que todos os órgãos consultados têm a estatística fechada —, Brasília é a capital que registrou o maior crescimento percentual da frota de carros e de motos. Em 2001, havia 521.337 carros registrados. Em outubro deste ano, são 845.219 (62,1% a mais). Já a quantidade de motocicletas saltou de 35.302 para 119.951, incremento de 239,7%, no mesmo período (veja arte). O Distrito Federal tem a maior renda per capita do país. E esta é uma das explicações para que se registre aqui uma das maiores taxas de crescimento da frota do Brasil.

Comparado aos engarrafamentos de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, os congestionamentos nas pistas de Brasília são pequenos. Mas testam diariamente a paciência do brasiliense em vários pontos do DF. Caso do caminhoneiro Cláudio Gomes, 38 anos, o “Seu Madruga”. Há quatro anos e meio, a rotina dele é exatamente a mesma. Mas ele não pode dizer o mesmo do trânsito.

Ele transporta brita de uma fábrica de cimento na DF-150, na região da Fercal, para Águas Claras. Na quinta-feira última, estava parado no acostamento na altura do balão do Colorado. “Estou esperando o engarrafamento acabar. É mais negócio eu esperar todo mundo descer para depois seguir viagem. Evito acidente, canso menos a cabeça, as pernas e evito desgaste do caminhão”, justifica.

O tempo de espera para o fluxo de carros diminuir chega a 30 minutos, às vezes mais. “Quando comecei não tinha esse engarrafamento. Agora, pego trânsito na porta da fábrica. Quero mais é que chegue 2015 para ir embora para o Nordeste. Envelhecer aqui é loucura. É trânsito demais. Você anda com a adrenalina à flor da pele”, diz.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

comunidade dos pedais

http://www.correiobraziliense.com.br/impresso/

Brasília, quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Comunidade dos pedais

Pesquisa aponta que a cidade, entre os núcleos carentes do DF, é onde existe maior número de bicicletas por família. Quase 25% delas tem pelo menos um exemplar em casa

· Leilane Menezes

Fotos: Breno Fortes/CB/D.A Press


Lourival do Valle Nascimento, Lucas de Queiroz Ribeiro, Rafael Almeida e Vinícius Augusto: estudantes utilizam o transporte de duas rodas durante a maior parte do tempo


O Recanto das Emas é a região com o maior número de bicicletas por família entre as cidades mais carentes do Distrito Federal. Dados da Pesquisa Domiciliar Socioeconômica de 2009 realizada pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) apontam que 24,3% das residências da cidade possuem pelo menos um exemplar desse meio de transporte. Outros 7,5% dos grupos familiares têm duas ou mais bicicletas. A comparação foi feita entre as 15 regiões com renda mais baixa do DF. Quando o assunto é a posse de bens, a Codeplan elabora o ranking levando em consideração cada domicílio e não o número total de habitantes. A conta feita assim é mais eficiente, segundo a coordenadora da Coordenação de Estudos e Pesquisas da Codeplan, Iraci Moreira. “O bem é de toda a família. As pessoas compartilham os objetos como bicicletas e carros”, explica Iraci.

Em segundo lugar em número de bicicletas está o Riacho Fundo II, onde 23% da comunidade usa esse veículo, mas onde nenhuma família tem mais de uma. A medalha de bronze de cidade onde mais se utiliza o meio de locomoção em duas rodas é do Itapoã, onde 20,3% das casas contam com a presença desse equipamento. O Gama é a região na qual as famílias menos possuem bicicletas: ela foi encontrada em apenas 0,8% dos lares pesquisados.

A quantidade de domicílios visitados varia em cada cidade – para estabelecer uma proporção, nas localidades maiores, mais casas receberam a visita de pesquisadores. No Recanto das Emas, foram visitadas 3.097 residências. “Escolhemos apenas os bairros nos quais as famílias ganham até dois salários mínimos per capita e consomem até 80kw/mês de energia. Esse perfil faz com que nosso público seja a classe média baixa”, relatou Iraci.

Pessoas como o repositor de mercadorias de um supermercado Lourival do Vale, 28 anos, encaixam-se no perfil dos usuários de bicicletas no Recanto das Emas. Ele vai ao trabalho todos os dias pedalando. Além de levar em consideração os benefícios para a saúde, Lourival pensa no bolso. “Eu ganho a passagem de ônibus no meu serviço, mas economizo para comprar o leite das crianças”, diz, mas adverte: “O problema é que não temos ciclovias na cidade. Tenho que andar entre os carros e pelas calçadas”. Em grande parte dos comércios, há bicicletários lotados. Os funcionários fazem a mesma opção de Lourival.

Os estudantes do Recanto das Emas também já perceberam as vantagens de usar a bicicleta. Rafael Almeida, 17 anos, sai de casa todos os dias em direção a Taguatinga Norte. São em média 15km percorridos. “Levo em média 40 minutos para chegar ao Senai, onde tenho aulas de acessórios automotivos”, afirma Rafael. E ele não vai sozinho: tem a companhia do amigo Lucas Queiroz Ribeiro, 16 anos, que também estuda em Taguatinga. “Daqui para lá não há ciclovias, é muito arriscado”, pondera. Vinícius Augusto Almeida, 15 anos, acompanha os colegas até a saída do Recanto das Emas. Quando tiver de deixar a cidade para estudar, ele também pretende usar a bicicleta. “É algo muito comum aqui no Recanto”, avalia Vinícius.

Preocupação
O levantamento da Codeplan teve como gancho a proximidade dos 50 anos de Brasília. A principal preocupação dos pesquisadores foi destacar as principais necessidades dos moradores das regiões mais pobres. “A pesquisa revela a realidade de uma parcela de nossa população que deve ser prioridade de toda e qualquer ação que tenha por objetivo a promoção do desenvolvimento no âmbito do DF. Os resultados procuram oferecer elementos para a atuação dos órgãos do complexo administrativo local”, esclarece o presidente da Codeplan, Rogério Rosso, na introdução do estudo.

O estudo chegou às mãos dos administradores regionais das cidades do DF. Cada um deve analisar os dados e pensar em soluções para atender a comunidade. No caso do Recanto das Emas, a divulgação dos dados sobre o número de bicicletas resultou na preocupação em construir ciclovias e promover campanhas de educação no trânsito. Mas os projetos ainda estão no campo das ideias. “Existe um plano do GDF de lançar em um mês a obra de uma ciclovia de 35km de extensão nas avenidas principais do Recanto das Emas. Elas vão ser interligadas com os dois terminais de ônibus que existem nas quadras 510 e 400/900”, garantiu o administrador Stênio Pinho. “Queremos incentivar o transporte alternativo e coletivo. Com o lançamento da ciclovia, vamos educar a população para a conscientização sobre o uso dos equipamentos de segurança e direção defensiva. Vamos propor parcerias para aplicação de cursos pelo Detran”, finalizou.

Levantamento localizado
A pesquisa aborda questões relativas aos domicílios, inventário de bens, serviços domiciliares e benefícios sociais. Foram também levantadas as características gerais de migração e de educação dos moradores, além de terem sido mapeadas informações sobre trabalho, rendimento, gênero, raça, religião, entre outras.

Ranking da pobreza
A Codeplan mapeou as 15 cidades mais pobres do DF. São elas: Gama, Brazlândia, Planaltina, Paranoá, Ceilândia, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e II, Varjão, Estrutural, Sobradinho II e Itapoã.

Novos valores
Confira a relação das
cidades com maior número
de bicicletas por domicílios pesquisados.

1º Recanto das Emas (24,3%)
2º Riacho Fundo II (23%)
3º Itapoã(20,3%)
4º Estrutural (18,2%)
5º Paranoá (17,9%)
6º São Sebastião (17,5%)
7º Sobradinho II (16,2%)
8º Ceilândia (14,6%)
9º Varjão (14%)
10º Samambaia (12,5%)
11º Santa Maria (12,4%)
12º Planaltina (12,1%)
13º Brazlândia (10,5%)
14º Riacho Fundo I (7,3%)
15º Gama (0,8%)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

“Daqui a 20 anos, Brasília será como São Paulo”

Professor de geografia prevê que a urbanização acelerada vai transformar a capital federal em uma grande metrópole rodeada

Uma capital em processo de mudança em sua estrutura física e ambiental. É assim que o professor de Geografia da Universidade de Brasília Aldo Paviani define as recentes transformações em Brasília. “O cinturão verde previsto por Lúcio Costa já não se vê mais. Em 20 anos, Brasília será uma São Paulo”, comparou. A palestra de Paviani fez parte do Seminário Brasília 50 anos: da capital à metrópole, realizado nesta sexta-feira, 2 de outubro, no Auditório da Reitoria. Todas as discussões do encontro que reuniu 15 pesquisadores serão transformadas em um livro da Coleção Brasília, publicada pela Editora UnB.

O crescimento vertiginoso da população, a ocupação de áreas cada vez mais afastadas do centro e os problemas de gestão do território foram os principais temas abordados no encontro. Na opinião de Paviani, os governos do Distrito Federal e de Goiás têm que estabelecer um compromisso de ter uma metrópole funcional, com gestão compartilhada.

Pesquisa do professor de Arquitetura Benny Schvasberg mostra que o crescimento urbano na capital federal se dá de forma polinucleada (com vários núcleos), com distâncias enormes separando as cidades do centro (Plano Piloto). Ele critica a inexistência de diálogo entre o modelo territorial do DF e os planos diretores de municípios goianos. “São poucos os esforços de articulação, como consórcios intermunicipais para prestação de serviços públicos como coleta de lixo, abastecimento de água e transporte”, observou.

Para ele, o grande desafio está na construção e na implementação de um novo modelo de gestão e de planejamento metropolitano. Schvasberg aponta três atores como responsáveis por promover mudanças: movimentos ambientais, movimentos populares de luta pela moradia e partidos políticos. “Há uma lacuna na política urbana brasileira. É preciso enfrentar a cultura municipalista para se chegar a uma gestão metropolitana com visão de desenvolvimento integrado”, completou.

CONDOMÍNIOS - A professora de Antropologia Cristina Patriota, por sua vez, lançou um novo olhar sobre os condomínios horizontais do DF. Ela afirmou que o conceito foi generalizado para qualquer tipo de ocupação irregular do solo. “A proliferação de condomínios influi no debate sobre a capital. Já se fala que 25% da população do DF vive nesses locais, que são sinônimos de parcelamentos irregulares. Precisamos entender o que a população chama de condomínios: se são clubes, favelas ou cidades”, questionou.

A antropóloga fez uma pesquisa etnográfica em lugares como Vicente Pires, Grande Colorado e áreas de baixa renda na Ceilândia. Ela constatou que os condomínios horizontais seguem uma tendência global de expansão de áreas residenciais, mas no DF se diferem em sua forma e estrutura. “Há uma confusão no conceito. No Lago Sul, por exemplo, os espaços são exclusivos, com áreas verdes, lazer, bens e serviços coletivos. Já na Ceilândia, os locais são de baixa renda e sem infraestrutura”, destacou.

Joana Wightman - Da Secretaria de Comunicação da UnB
http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=2417

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Bicicletas públicas em Brasília?

http://www.st.df.gov.br

Morador do DF poderá se deslocar de bicicleta

(23/09/2009 - 10:16)

Um novo meio de transporte, ágil e livre de poluentes, deverá ser disponibilizado à população do DF ainda este ano. Assim como acontece nas cidades do Rio de Janeiro e Recife, será possível trocar o carro ou o ônibus por bicicleta. Na tarde de hoje (22), a Comissão de Licitação da Secretaria de Transportes recebeu proposta de habilitação técnica e de preço para a outorga de concessão de 50 estações de locação de bicicletas.

Apenas a licitante SERTTEL LTDA participou da Concorrência Nº 001/2009. A empresa foi considerada habilitada no quesito técnico. A proposta de preço deverá ser aberta em oito dias. Se o valor ofertado for igual ou superior ao mínimo estipulado em edital para a outorga, que é de R$ 636.544,80, a empresa será considerada vencedora. O contrato deverá ser assinado em meados de outubro.

“Pelo edital, a empresa vencedora terá prazo mínimo de três meses para começar a operar, mas vamos tentar agilizar o processo para que as regiões mais congestionadas tenham o serviço ainda este ano”, afirma o Secretário de Transportes, Alberto Fraga.

Após a assinatura do contrato, pelo cronograma estabelecido, a região Central de Brasília será a primeira a ser contemplada, com 11 estações. O prazo para implantação é de três meses. Em seguida, será a vez da Asa Sul. Num prazo de até seis meses serão instaladas 12 estações. O Parque da Cidade, a Asa Norte e Águas Claras vão receber 10 bicicletários num período de nove meses. Taguatinga e Ceilândia receberão seis cada. O prazo total para implantação do projeto é de 15 meses. (Confira a tabela anexa)

REGIÃO

PRAZO

Nº de Estações

Central

3 (três) meses

11

Asa Sul 6 (seis) meses

12

Parque da Cidade, Asa Norte
e Águas Claras

9 (nove) meses

10

Estações Móveis

12 (doze) meses

05

Taguatinga 15 (quinze) meses

06

Ceilândia

15 (quinze) meses

06


Por um período de cinco anos, prorrogável por mais cinco anos, a empresa vencedora será responsável pela instalação, operação e manutenção das estações. A outorga incluiu ainda a exploração publicitária padronizada nas estações, bicicletas e demais serviços correlatos, remunerável através da locação das bicicletas e da receita adicional de publicidade.

Nos últimos dois anos, o GDF inaugurou 44 km de ciclovias nas cidades de Samambaia (7.5km), Itapoã (6.5km), Jardim Botânico/São Sebastião (12km), Varjão/Paranoá (12km) e DF 001/Barragem Paranoá (2km). As próximas obras em execução são as ciclofaixas, ou sinalização no acostamento, no Lago Sul (69 km) e Lago Norte (19 km), e as ciclovias na DF 079 (8 km), DF 459 (2,6 km), DF 150 (13km) e EPTG (19km). Outros 80 km estão em fase de projeto. A expectativa é de que até o final de 2010 sejam concluídos 300 km de ciclovias.

_,_.___

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

humanização das cidades

dica do Uirá:

Na véspera do Dia Mundial sem Carro, vale a pena um resgate histórico. Num seminário realizado no Senado, em 1974, Jaime Lerner apresentou a conferência Humanização das cidades.

Há 35 anos, o conceituado arquiteto expressou preocupação com o avanço dos automóveis na capital federal:

“Acredito que é fundamental uma nova conceituação para o problema de circulação em Brasília, onde o automóvel dê lugar ao transporte coletivo; onde o transporte de massa possa integrar toda a população, não só do Plano Piloto como de toda a região, e onde a mentalidade ou a preocupação rodoviária deva ceder e perder a sua importância; partir da aridez dos espaços vazios para uma política de áreas verdes, sustentada por uma estrutura de animação bem definida.”

[LERNER, Jaime. Humanização das cidades. In: I Seminário de estudos dos problemas urbanos de Brasília. Brasília: Senado Federal. 1974, p. 118]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Pense numa coisa mal feita..."

relato do nosso amigo Denir:


"Pense de novo, numa coisa mal feita, de má vontade e a contragosto....

50 ciclistas???

Pare e dê prioridade aos carros que vão virar à direita...

E olha a qualidade das letras!

Esta faixa branca transversal, é a mesma faixa de retenção usada nos semáforos???

tão fazendo uma ciclofaixa para carros, kkkk

Uma ciclofaixa não deveria ser contínua sempre, com as intersecções sinalizadas com prioridade para a BICICLETA??

E a faixa central descontínua, pra quê?, se a ciclofaixa é de mão única??

Ah, sim... a ciclofaixa é para carros....

Até eu faço um stencil melhor que isto. Eita, serviço malfeito!

Mas , numa sociedade demagógica, vale a lógica do “melhor pouco do que nada”, ou “seria melhor porco do que nada”?

O jornal vai noticiar, o GDF diz que ta fazendo, e os ciclistas ficamos todos felizes...

Denir"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mais incentivo ao uso da bicicleta no DF

LEI Nº 4.397, DE 27 DE AGOSTO DE 2009.
(Autoria do Projeto: Deputado Roney Nemer)
Dispõe sobre a criação do Sistema Cicloviário no âmbito do Distrito Federal e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, FAÇO SABER QUE A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL DECRETA E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI:
Art. 1º Fica criado o Sistema Cicloviário do Distrito Federal, como incentivo ao uso de bicicletas para o transporte no Distrito Federal, contribuindo para o desenvolvimento da mobilidade sustentável.
Parágrafo único. O transporte por bicicletas deve ser incentivado em áreas apropriadas e abordado como modo de transporte para as atividades do cotidiano, devendo ser considerado modal efetivo na mobilidade da população.
Art. 2º O Sistema Cicloviário do Distrito Federal será formado por:
I – rede viária para o transporte por bicicletas, formada por ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas e rotas operacionais de ciclismo;
II – locais específicos para estacionamento: bicicletários e paraciclos.
Art. 3º O Sistema Cicloviário do Distrito Federal deverá:
I – articular o transporte por bicicleta com o Plano Diretor de Transporte urbano, viabilizando os deslocamentos com segurança, eficiência e conforto para o ciclista;
II – implementar infra-estrutura para o trânsito de bicicletas e introduzir critérios de planejamento para implantação de ciclovias ou ciclofaixas nos trechos de rodovias em zonas urbanizadas, nas vias públicas, nos terrenos marginais às linhas férreas, nas margens de cursos d’água, nos parques e em outros espaços naturais;
III – implantar trajetos cicloviários onde os desejos de viagem sejam expressivos para a demanda a que se comprometem atender;
IV – agregar aos terminais de transporte coletivo urbano infra-estrutura apropriada para a guarda de bicicletas;
V – permitir acesso e transporte, em vagão especial, no Metrô e VLT – Veículo Leve sobre Trilhos de ciclistas com suas bicicletas;
VI – promover atividades educativas visando à formação de comportamento seguro e responsável no uso da bicicleta e, sobretudo, no uso do espaço compartilhado;
VII – promover o lazer ciclístico e a conscientização ecológica.
Art. 4º Caberá ao Governo do Distrito Federal, por meio dos órgãos competentes, consolidar o programa de implantação do Sistema Cicloviário do Distrito Federal, considerando as propostas contidas no Planos Diretores e de Desenvolvimento Setorial.
Art. 5º A ciclovia será constituída de pista própria para a circulação de bicicletas, separada fisicamente do tráfego geral, e atenderá ao seguinte:
I – ser totalmente segregada da pista de rolamento do tráfego geral, calçada, acostamento, ilha ou canteiro central;
II – poderá ser implantada nas laterais da faixa de domínio das vias públicas, no canteiro central, em terrenos marginais às linhas férreas, nas margens de cursos d’água, nos parques e em outros locais de interesse;
III – ter traçado e dimensões adequados para a segurança do tráfego de bicicletas e possuirá sinalização de trânsito específica, em interseções com circulação de veículos e pedestres.
Art. 6º A ciclofaixa consistirá numa faixa exclusiva destinada à circulação de bicicletas, delimitada por sinalização específica, em interseções com circulação de veículos e pedestres, utilizando parte da pista ou da calçada.
Parágrafo único. A ciclofaixa poderá ser adotada quando não houver disponibilidade de espaço físico ou de recursos financeiros para a construção de uma ciclovia, desde que as condições físicooperacionais do tráfego motorizado sejam compatíveis com a circulação de bicicletas.
Art. 7º A faixa compartilhada poderá utilizar parte da via pública, desde que devidamente sinalizada, permitindo a circulação compartilhada de bicicletas com o trânsito de veículos motorizados ou pedestres, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro.
§1º. A faixa compartilhada deverá ser utilizada somente em casos especiais, para dar continuidade ao sistema cicloviário ou em parques, quando não for possível a construção de ciclovia ou ciclofaixa.
§2º. A faixa compartilhada poderá ser instalada na calçada, desde que autorizada e devidamente sinalizada pelo Órgão Executivo de Trânsito, nos casos em que não comprometer a mobilidade segura e confortável do pedestre.
Art. 8º Os terminais e estações de transferência do Sistema de Transporte coletivo, Metrô e VLT – Veículo Leve sobre Trilhos; os edifícios públicos, as indústrias, as escolas, os centros de compras, os condomínios, os parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.
§1º. O bicicletário é o local destinado para estacionamento de longa duração de bicicletas e poderá ser público ou privado.
§2º. O paraciclo é o local destinado ao estacionamento de bicicletas de curta e média duração em espaço público, equipado com dispositivos para sua instalação.
Art. 9º A elaboração de projetos de construção de praças e parques, incluindo os parques lineares, com área superior a 4.000m2 (quatro mil metros quadrados), deve contemplar o tratamento cicloviário nos acessos e no entorno próximo, assim como paraciclos no seu interior.
Art. 10. O Governo do Distrito Federal deverá viabilizar a implantação de locais reservados para bicicletários, em um raio de 100 (cem) metros dos terminais e estações de ônibus, Metrô e VLT – Veículo Leve sobre Trilhos e corredores de transporte coletivo, dando prioridade às estações localizadas nos cruzamentos com vias estruturais.
Parágrafo único. A segurança do ciclista e do pedestre é condicionante na escolha do local e mesmo para a implantação de bicicletários.
Art. 11. As novas vias públicas, incluindo pontes, viadutos e túneis, devem prever espaços destinados ao acesso e circulação de bicicletas, em conformidade com os estudos de viabilidade.
Art. 12. O Executivo poderá implantar ou incentivar a implantação de ciclovias ou ciclofaixas nos terrenos marginais às linhas férreas, Metrô e VLT em trechos urbanos, de interesse turístico, nos acessos às zonas industriais, comerciais e institucionais, quando houver demanda existente e viabilidade técnica.
Parágrafo único. Os projetos dos parques lineares previstos nos Planos Diretores e nos Planos de Desenvolvimento setoriais deverão contemplar ciclovias internas e, quando possível, de acesso aos parques, em conformidade com estudos de viabilidade aprovados.
Art. 13. A implantação e operação dos bicicletários, em imóveis públicos ou privados, deverão ter controle de acesso, a ser aprovado pelo Órgão Executivo de Trânsito.
Art. 14. Nas ciclovias, ciclofaixas e locais de trânsito compartilhado, poderão ser permitidos, de acordo com regulamentação pelo Órgão Executivo de Trânsito, além da circulação de bicicletas:
I – circulação de veículos em atendimento a situações de emergência, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro e respeitando-se a segurança dos usuários do sistema cicloviário;
II – utilização de patins, patinetes e skates nas pistas onde sua presença não seja expressamente proibida;
III – circulação de bicicletas, patinetes ou similares elétricos, desde que desempenhem velocidades compatíveis com a segurança do ciclista ou do pedestre onde exista trânsito partilhado.
Art. 15. O Governo do Distrito Federal deve manter ações educativas permanentes com o objetivo de promover padrões de comportamento seguros e responsáveis dos ciclistas, assim como deverá promover campanhas educativas, tendo como público-alvo os pedestres e os condutores de veículos, motorizados ou não, visando divulgar o uso adequado de espaços compartilhados.
Art. 16. Os eventos ciclísticos, utilizando via pública, somente podem ser realizados em rotas, dias e horários autorizados pelo Órgão Executivo de Trânsito, a partir de solicitação expressa formulada pelos organizadores do evento.
Art. 17. As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.
Art. 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 19. Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 27 de agosto de 2009.
121º da República e 50º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Grupo de estudo e ações em favor dos não motorizados

Discussões e intervenções no Eixão
Por cidades mais humanas


Uma vez por semana, o espaço sagrado da alta velocidade e da fluidez motorizada dá espaço para os seres humanos caminharem, pedalarem e aproveitarem sem pressa as pistas do Eixão.
O grupo de estudo da Bicicletada teve o segundo encontro no dia 12 de julho (domingo). Além das discussões teóricas, o pessoal partiu para a ação. Bicicletas e frases foram pintadas no Eixão da Morte.
O objetivo da ação foi despertar para a necessidade de repensar a cidade. A cidade deve ser para os motores ou para as pessoas? Queremos mais pistas e viadutos ou mais respeito e espaço aos seres caminhantes e pedalantes?
Algumas pessoas, curiosas com a movimentação e o giz branco traçado no asfalto escuro e cheio de fuligem, paravam e perguntavam sobre o significado. Descobrimos uma forma de demarcar o devido espaço das magrelas e, ao mesmo tempo, dialogar com as pessoas.


Bicicletas pelo asfalto
Saruê: mais uma vítima da máxima fluidez motorizada

Café-almoço e bate-papo

Bicicletas por um mundo melhor

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Usuários...

Eu sou um usuário
Severino Francisco

severinofrancisco.df@diariosassociados.com.br

Sei que, em Brasília, não é de bom tom manifestar esta condição, mas eu confesso: sou um usuário. Não, não é disso que vocês estão pensando. Sou um usuário do transporte público. Se morasse em Paris, Londres ou Amsterdã não haveria problema. Mas, em Brasília, por uma enorme inversão e deformação dos valores, usar o transporte público é sinônimo de humilhação, infâmia e estigmatização social. Transporte público é "coisa de pobre". O caderno Cidades publicou, na semana passada, duas matérias mostrando as consequências desta santa ignorância: a péssima qualidade do transporte público para 500 mil usuários e uma megafrota que atingirá o limite de 1,1 de carros nas ruas em junho de 2.010.

A sensação que a gente tem no início da noite no Eixo Monumental, no Eixão ou na Epia é de que São Paulo avança a cada dia para Brasília. Não sou especialista em engenharia de trânsito, mas a condição de usuário me confere uma certa autoridade. Estava conversando com uma aluna de uma faculdade numa parada de ônibus. Ela contou que não aguenta mais sofrer com a escassez de linhas, os atrasos e o desrespeito dos motoristas de ônibus. Mora em Samambaia, chega tarde e já foi assaltada seis vezes na parada ou no caminho para casa. "Fico com muito medo, pois é a minha mãe quem vai me buscar na parada. Prefiro ficar engarrafada do que ser assaltada".

Moro em um condomínio do Lago Sul e, entre sete e oito da manhã, demoro quase duas horas para chegar à Asa Norte, se quiser ir de ônibus. Algumas vezes, eles passam lotados e não param. Contudo, o que mais indigna é a atitude dos motoristas que se aproveitam do fato de haver um outro ônibus na parada e passam direto, ignorando os sinais desesperados dos usuários. Os ônibus trazem um número para reclamações, mas tudo ocorre de maneira rápida e é muito difícil anotar a placa. É um absurdo que, além de sofrerem todas as agruras cotidianas por utilizar um serviço público, os passageiros ainda tenham a missão de fiscalizar irresponsáveis remunerados. Por aí, dá para imaginar o que ocorre em outros lugares com os meus 500 mil colegas usuários.

E, como se não bastasse tudo isso, algum gênio da publicidade sugeriu a instalação de um letreiro luminoso com os dizeres: "Conte comigo!". Inúmeras vezes perdi o ônibus, pois o inconveniente sinal elétrico me impediu de ler o itinerário. Não contem comigo para humor negro.

Com a sua intuição verdadeiramente genial, Nelson Rodrigues já havia percebido na década de 1970 que o desenvolvimento humaniza as máquinas e maquiniza os homens. Por isso, a tendência dos administradores das cidades com mais qualidade de vida no planeta é no sentido de desestimular o uso do carro, melhorar o transporte público e privilegiar os lugares para os pedestres caminharem ou trafegarem de bicicletas. Se não nos livrarmos da ideia burra de que transporte público é coisa de pobres, daqui a pouco tempo seremos obrigados a lubrificar os humanos e dar bom dia para as máquinas, como sugere Nelson, o nosso profeta do óbvio.


terça-feira, 7 de julho de 2009

rumo ao colapso...

TRÂNSITO CAÓTICO
Carros para todo lado

Mais engarrafamentos à vista: em um ano, o Distrito Federal terá a quarta maior frota de veículos do Brasil

Adriana Bernardes
Helena Mader
Leilane Menezes

Vias cada vez mais congestionadas, vagas escassas e motoristas brasilienses com os nervos à flor da pele. A cidade que nasceu planejada e tem na imensidão das avenidas um convite para o automóvel, se vê às voltas com o caos no trânsito. Os problemas resultam de uma combinação complicada: aumento vertiginoso da frota e transporte público incapaz de reduzir a demanda pelo carro. Nos próximos meses, Brasília baterá a marca de 1,1 milhão de veículos nas ruas, e em junho de 2010, vai superar Curitiba em total de carros. Será a quarta colocada entre as cinco capitais com a maior quantidade de veículos. Também pertencem ao grupo Belo Horizonte, Rio de Janeiro e a campeã São Paulo (veja quadro na página 24).

O inchaço no trânsito toma o tempo e altera a rotina da população, ainda mais às segundas e sextas-feiras, quando o fluxo de veículos aumenta em cerca de 40%. Há cinco anos, o funcionário público Pedro Pinheiro Filho, 54 anos, saía de casa, em Sobradinho, às 7h e às 8h já estava no trabalho, na Câmara dos Deputados. Hoje, ele demora quase uma hora a mais para chegar ao mesmo destino. “Levanto às 5h todo dia. Às 6h30, tenho de pegar a estrada, caso contrário, entro no horário de pico e chego muito atrasado, quase às 9h”, conta. As idas ao Setor Bancário Sul são frequentes e os problemas também: “Não tem vaga de estacionamento. Ou paro na calçada ou carrego o carro na cabeça”.

Mantido o quadro atual, a situação tende a piorar. Atualmente, a capital federal ocupa a quinta posição no ranking, com 1.086.015 veículos (número atualizado em maio). O Correio fez uma projeção do crescimento da frota das cinco capitais até 2020. Com base no percentual de aumento registrado no último ano, e mantidas as condições atuais, em 11 anos Brasília terá 2.584.248 veículos em circulação. Será a terceira capital em número de carros, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Projetos
O secretário de Transportes, Alberto Fraga, reconhece o problema e garante que o aumento da frota é uma grande preocupação para o governo. “O futuro do trânsito de Brasília é tenebroso, mas o governo está atento à necessidade de intervenções para evitar esse caos. Com o Brasília Integrada, vamos retirar pelo menos 30% da frota de carros das ruas.”

A aposta do governo para deter o caos no trânsito é melhorar o sistema de transporte público, com a criação de faixas exclusivas para ônibus, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a ampliação das linhas de metrô e a construção de novos terminais rodoviários.

Fraga chegou recentemente de uma visita à Europa com o governador José Roberto Arruda — na França, a comitiva do GDF conheceu sistemas de transportes como o VLT. O secretário considera os veículos leves sobre trilhos uma excelente saída para os problemas do trânsito. “No Eixo Monumental e na Esplanada dos Ministérios, por exemplo, o VLT poderia substituir uma enorme quantidade de veículos. A frota está crescendo com muita rapidez e o governo tem que reagir a isso”, finaliza.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Estacionamento de bicicletas

Bom exemplo em Brasília
Centro comercial instala e divulga bicicletário


O Conjunto Nacional, localizado na região central de Brasília, inaugurou um espaço exclusivo para o estacionamento de bicicletas.
O bicicletário é de uso gratuito e está no interior do estacionamento subterrâneo, próximo ao posto de segurança. No total, doze suportes em “R” foram instalados, que permitem prender a bicicleta sem deixar o quadro tombar.
Na capital dos motores, que ostenta uma frota com mais de um milhão de automóveis, atitudes como esta são muito bem-vindas. Independentemente de obrigatoriedade imposta por lei, o Conjunto Nacional tomou a iniciativa de promover o uso de uma forma de locomoção saudável e ambientalmente correta.
Além do bicicletário, foi lançada campanha para estimular os clientes a irem de bicicleta às compras. Afinal, as vagas já estão garantidas.


Ciclista chega ao centro comercial e prende a bicicleta

O bicicletário localiza-se próximo ao posto de segurança e à saída

Divulgação do bicicletário no interior do Conjunto Nacional

terça-feira, 2 de junho de 2009

Bicicletada no Jornal Campus.

A Bicicletada e a inauguração da praça das bicicletas sairam no jornal Campus online, da UnB. confira abaixo, ou no link: http://www.fac.unb.br/campusonline/

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Pra todo mundo


A inauguração da Praça das Bicicletas, na última sexta-feira, encheu de significado o espaço vazio bem no centro de Brasília


4_bicicletada


“Alô alô, bicicleteiros! A partir de hoje, oficialmente – mas não burocraticamente –, está inaugurada a Praça das Bicicletas.” Assim começou a noite em que o amplo espaço de concreto entre a Biblioteca Nacional e o Museu da República ganhou um nome e um sentido de convivência e integração mais humano.2_bicicletada

Toda última sexta-feira do mês, o local é ponto de encontro dos participantes da Bicicletada. O evento reúne ciclistas interessados em reivindicar seu espaço nas ruas, o reconhecimento das bicicletas como meio de transporte na malha de trânsito, e condições favoráveis para a prática do ciclismo com segurança.

“A ideia é criar um espaço de referência pra um grupo de pessoas que tentam meios alternativos no trânsito e não conseguem”. Segundo Artur Sinimbu, ex-estudante de Ciência Política e cicloativista, andar de bicicleta em Brasília é um desafio diário. “O desafio de pedalar numa cidade construída para carros”.

Apesar do clima descontraído, não se trata de um simples passeio ciclístico. A força política do evento fica estampada no perfil da maioria dos presentes. O jornalista Pedro Poney participa ativamente da organização das bicicletadas, e afirma que até a palavra organização, aí, pode soar equivocada: “a gente brinca falando que isso aqui é uma coincidência organizada”.

Origem

A “coincidência organizada” tem uma amplitude maior do que se pode imaginar. A inspiração veio de São Francisco, nos Estados Unidos, onde movimentos em prol de uma vida sem automóvel acontecem desde 1992 e são chamados de Critical Mass. No Brasil, as iniciativas ganharam o nome de Bicicletada e acontecem, simultaneamente, em diversas cidades de quase 21 estados.

Em meio à pluralidade que a Bicicletada adquire – resultado das características do movimento em cada cidade onde acontece –, uma noção é comum a todos esses lugares: a crítica à sociedade do automóvel e a todos os problemas que dela decorrem. São evidentes os prejuízos à qualidade de vida que uma rotina diária em engarrafamentos, estacionamentos sem vaga e poluição podem causar.

Outra caracterís3_bicicletadatica comum da Bicicletada nas diferentes cidades é que não há líderes ou estatuto, possibilitando a participação de todos os tipos de gente. Uns são mais ligados a razões ambientais, outros à prática de atividade física, outros movidos pela consciência política. Motivações variadas, interesse igual. Segundo Pedro Poney, “o que é caótico pra umas pessoas, é uma experiência inspiradora pra outras”.

Além de chamar a atenção para os aspectos alarmantes do trânsito em Brasília, a inauguração da Praça das Bicicletas foi um ato simbólico também por promover a ocupação do espaço público numa cidade tão pouco convidativa à interação entre as pessoas fora de limites privados. Entre apitos, balões coloridos e muitas bicicletas, após a fixação da placa nomeando a Praça, os participantes saíram a pedalar. Todos celebrando o dia em que, andando em grupo, os ciclistas tomam a pista e impõem um novo ritmo aos automóveis.

domingo, 10 de maio de 2009

Cenas de Brasília - cidade dos motores

Fotos: Uirá Lourenço

A prioridade absoluta aos motores fica clara quando se nota que existem várias vias, na área central de Brasília, que nem possuem sequer calçada para pedestres. Isso sem falar em interrupções, buracos e obstáculos nas calçadas existentes.


Setor Hospitalar Norte, próximo ao hospital Santa Helena

Via perpendicular à W5 Norte, próximo à Casa do Ceará

Via W5 Norte, altura da 915N

Final da Asa Norte, próximo à 2ª DP

Calçada em frente ao Conjunto Nacional, transformada em estacionamento privativo

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ciclistas continuam pagando o pato pela incompetência do GDF

Segue notícia na íntegra:
Criança de seis anos morre atropelada na Estrutural

Por Naira Trindad
Correio Braziliense


Uma criança de seis anos morreu no final da tarde desta segunda-feira (4/5) depois de ser atropelada por um caminhão na Estrutural. Segundo informações do Corpo de Bombeiros o menino Gabriel dos Santos Pereira foi atropelado por um caminhão caçamba carregado de terra.Gabriel estava sentado no cano de uma bicicleta guiada pelo irmão mais velho, de 10 anos. Ao passar em frente a loja 30, conjunto J1, da AE 4, na Avenida Luís Estêvão, o irmão mais velho teria desequilibrado no apertado espaço que ficou entre o caminhão que passava pela rua e um veículo que estava estacionado irregularmente em cima da calçada.(1) As duas crianças caíram. Gabriel caiu para o lado do caminhão e bateu o lado esquerdo da cabeça no pneu. Ele morreu na hora.A mãe dos dois meninos, Maria Zélia dos Santos Pereira, 34, estava inconformada. Separada do marido, ela mora em outra casa com duas filhas, irmãs de Gabriel. Ele e dois irmãos permaneceram com o pai. "Eu não queria que o pai desse a bicicleta para eles", lamenta a doméstica, desesperada com a perda do filho caçula.(2) O motorista Raimundo José Vieira, 52 anos, foi recolhido ao posto policial da Estrutural e levado à 8ª Delegacia de Polícia (SIA), para depor. Ele presta serviço há dois anos para a empresa Compacta Construtora e Projetos Ltda. No momento do atropelamento, o caminhão estava carregado com terra. De acordo com o delegado de plantão da 8ª DP, Paulo Carvalho, o motorista vai responder por homicídio culposo (sem intenção de matar). -----

Minhas considerações:

(1) Mais uma vez, fica claro a falta de conhecimento e falta de respeito dos motoristas pelos ciclista.
Nao importa se são adultos, atletas, trabalhadores ou crianças.
Todos os veículos devem respeitar a lei e manter a distância de segurança das bikes, que é de 1,5 M.
Poxa vida, o que é um metro e meio???

(2) Fica nítido o que a bike representa para a comunidade de um modo geral, insegurança e preocupação.
Ao invés das pessoas terem motivos para usar cada dia mais a bike, ocorre o inverso, casos como esse, que infelizmente são frequentes, só fazem as pessoas terem mais e mais medo de sair de bike nas ruas, e só fazem com que os pais proíbam seus filhos de pedalar...

E enquanto isso, o Fraga e o GDF continuam gastando nossa grana com obras e mais obras, a ultima noticia é de que liberaram não sei quantos milhões para construirem uma nova sede do Governo Distrital, depois vou procurar mais informações sobre isso...
E para completar, ainda acabei encontrando mais uma notícia de ontem:

Ciclista é atropelada na Asa Norte

Publicação: 04/05/2009 09:37 Atualização: 04/05/2009 11:13

Uma ciclista foi atropelada na manhã desta segunda-feira (4/5), por volta das 8h43. O acidente ocorreu em frente ao supermercado Extra da Asa Norte. Roseane Almeida Guimarães, de 23 anos, foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Roseane foi submetida a um exame de Raio X e passará por um tomografia. Segundo a assessoria do hospital, a paciente está consciente e agitada. Ela está em observação. O caso é avaliado pela neuro cirurgia e cirurgia geral.

http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2009/05/04/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=104883/noticia_interna.shtml

Só lamento....