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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Centro comercial recém-inaugurado revela-se inimigo de ciclistas e pedestres

Texto e fotos: Uirá Lourenço
7/4/2010


No dia 31 de março, pedalei pela via do Lago Norte (Estrada Parque Península Norte, DF-009) até o Iguatemi, inaugurado no dia anterior. Apesar da distância curta (cerca de quatro quilômetros de onde eu estava), o trajeto não foi dos mais fáceis e não recomendo a ciclistas sem experiência no trânsito selvagem do dia a dia.
Saí do final da Asa Norte (próximo aos supermercados Extra e Carrefour), peguei parte do Eixão Norte, ponte do Bragueto e, então, a via de acesso ao Lago Norte. Em nenhum momento, pude desfrutar de qualquer facilidade ao ciclista (ciclofaixa, ciclovia nem calçada compartilhada).
Na chegada ao shopping, a primeira surpresa: o acesso de pedestre não está pronto. Contornei o terreno e avistei o estacionamento. A placa próxima à entrada sinalizava para carros (valet) e motos.


Acesso de pedestre em construção

Sinalização para usuários de moto e carro

Um ser de bicicleta deveria ir para que lado? Entrei no primeiro acesso ao shopping e avistei um rapaz. O diálogo com o funcionário responsável pelo acesso ao estacionamento foi emblemático:

Eu: Boa noite. Vou ao shopping. Tem vaga para estacionar minha bicicleta?
Funcionário: Aqui nessa parte não tem.
Eu: Então, onde posso parar?
Funcionário: Essa área é a internacional. Não tem lugar pra bicicleta.
Eu: Internacional, como assim?
Funcionário: É, por causa da Luis Vuiton. É área de acesso à loja.
Eu: Se não tem vaga na área internacional, onde posso parar?
Funcionário: Dá a volta e vê se tem na outra parte.

Pedalei até a outra parte do estacionamento. Procurei vagas para bicicletas, mas não as encontrei. Decidi voltar para a entrada e conversar, novamente, com o funcionário do shopping. Antes de encontrá-lo, avistei uma placa na entrada do estacionamento internacional e desisti de ter outro diálogo, afinal a placa é muito clara: bicicletas não são bem-vindas.




No acesso ao Iguatemi, a sinalização indica a proibição de acesso de bicicletas

A administração do Iguatemi deve imaginar que usuários de bicicleta não tenham condições de consumir nas lojas de grifes internacionais. Esquecem-se que, por razões ambientalistas, urbanísticas e até por moda, o uso de bicicleta tem sido promovido em cidades de diversos países.
Não precisa recorrer a exemplos do exterior para constatar que o acesso a lojas pode ser mais democrático, de forma a possibilitar o acesso de ciclistas. Aqui na capital federal, o Conjunto Nacional dispõe, há mais de um ano, de vagas gratuitas e cobertas para bicicletas. Foi feita, inclusive, campanha de estímulo ao uso de bicicleta.

Bicicletário coberto e gratuito do Conjunto Nacional

Considerando que o Iguatemi foi construído pela construtora do empresário e ex-governador Paulo Octávio e que o GDF prioriza os modos de transporte coletivo e não motorizado, segundo o discurso repetido em eventos e divulgado em anúncios publicitários, era de se esperar que fossem reservadas vagas gratuitas e cobertas para os usuários de bicicleta.
Infelizmente, a área internacional do Iguatemi não teve como inspiração a Holanda ou Dinamarca, países que notadamente incentivam o uso de bicicleta.

Acostamentos cicláveis e criação de terceira faixa para carros

Não bastasse a proibição de acesso ao shopping, o ciclista enfrenta dificuldades ao trafegar na via que passa pelo Lago Norte, a Estrada Parque Península Norte (EPPN), DF-009.
O chamado acostamento ciclável (nome dado pelo governo ao espaço reservado aos ciclistas nos acostamentos de algumas vias) só começa a cerca de 500 metros do shopping e não segue até o final do Eixão Norte (DF-002). Em frente ao centro comercial não existe sequer o acostamento “normal”. Apesar de o governo qualificar como ciclável o espaço no Lago Norte, o código de trânsito já prevê a circulação de bicicletas no acostamento, sem necessidade de qualquer obra. A definição da lei é clara: “acostamento - parte da via diferenciada da pista de rolamento destinada à parada ou estacionamento de veículos, em caso de emergência, e à circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local apropriado para esse fim”.
O acostamento que existia no Lago Norte cedeu espaço para a terceira faixa de circulação de carros, do shopping Deck Norte até a ligação com o final do Eixão.


Em ambos os lados da via, o acostamento virou terceira faixa para carros

Os ciclistas que passam pelo Lago Norte enfrentam outras dificuldades. A imprudência e o excesso de velocidade dos motoristas são facilmente observados. Em meia hora, mais de vinte carros invadiram o acostamento. O limite teórico de velocidade na via é alto – 70 km/h – e dificulta a convivência entre ciclistas e motoristas, especialmente nos locais sem acostamento. É fácil constatar que, apesar de alto, o limite de velocidade não é respeitado por muitos motoristas.

Limite de velocidade de 70 km/h ao longo da EPPN

Ao eliminar o acostamento na via do Lago Norte e criar a terceira faixa, o governo local faz uma escolha bem clara: põe em risco a vida de ciclistas para oferecer maior fluidez aos motoristas. Apenas neste ano, pelo menos seis pessoas já morreram em vias do Distrito Federal enquanto pedalavam, quatro apenas no mês de março. Os dados têm como fonte notícias divulgadas pela mídia local, pois os dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) estão desatualizados e vão até o mês de dezembro de 2009. Os números de mortes nas vias do DF até março de 2010 não estão disponíveis no sítio de internet nem na assessoria de comunicação do órgão de trânsito.
Apesar das mortes e dos ferimentos frequentes de ciclistas, decorrentes da falta de condições propícias às pedaladas, o órgão de trânsito não possui campanha voltada especificamente ao uso da bicicleta como meio de transporte. “Não tem nada voltado ao ciclista, não temos ação prevista. No momento, estamos focados no pedestre, em função do aniversário da campanha da faixa de pedestre”, afirma Maria da Penha, assessora de comunicação do Detran-DF.
A sinalização dos acostamentos cicláveis do Lago Norte está incompleta e não corresponde ao previsto no projeto inicial. Segundo o informativo do Pedala-DF distribuído em março de 2009, os pontos de conflito entre ciclistas e motoristas estariam destacados com pintura vermelha.
O gerente do Programa Cicloviário do Distrito Federal (Pedala-DF), Leonardo Firme, foi procurado por e-mail. Foram enviadas perguntas sobre as condições de segurança aos ciclistas a via que passa pelo Lago Norte. No entanto, não houve respostas.

Em pontos de ônibus e acessos a quadras (pontos de conflito), falta pintura vermelha no asfalto

Segundo o material informativo do Pedala-DF, distribuído em março de 2009, os acostamentos do Lago Sul e do Lago Norte possuem marcação vermelha nas zonas compartilhadas com automóveis e ônibus

O discurso do GDF de priorização do transporte não motorizado e o fato de haver uma gerência (Pedala-DF) apenas para tratar da mobilidade por bicicleta não resistem a uma breve caminhada pela cidade. É fácil constatar que pedalar e caminhar em Brasília, mesmo na área central, são tarefas árduas. A mega-frota motorizada (segundo o Detran-DF , a frota já chega a 1 milhão e 162 mil carros) ganha mais espaço por meio das diversas obras viárias projetadas e em execução. A prioridade ao automóvel que ocorre na prática contraria diversas leis em vigência no Distrito Federal, inclusive a Lei Orgânica, que preveem justamente a prioridade ao transporte não motorizado (confira abaixo).
A meta inicial de 600 km de ciclovias, que seriam entregues até 2010, certamente não será alcançada. E o Plano Piloto, que concentra a maioria dos empregos e dos deslocamentos diários, ainda se caracteriza pelas vias expressas e pela carência de vias e segurança para ciclistas. O projeto do governo que pretende disponibilizar estações para aluguel de bicicletas, previsto inicialmente para o ano passado, também não saiu do papel.

Legislação pró-ciclista

Em tramitação na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o projeto de lei nº 2103/2005 pretende obrigar a instalação de bicicletários (locais com vagas de estacionamento para bicicletas) em lojas, supermercados e centros comerciais. O projeto já passou por análise nas comissões permanentes e aguarda aprovação dos deputados em plenário.
Já em vigência, a lei distrital nº 4.397/2009 criou o sistema cicloviário do Distrito Federal e prevê incentivos ao uso da bicicleta. No artigo segundo, a lei afirma que o sistema será composto por dois itens: rede viária para o transporte por bicicletas, formada por ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas e rotas operacionais de ciclismo; locais específicos para estacionamento: bicicletários e paraciclos.
Outras leis distritais que estimulam o uso da bicicleta podem ser citadas: Lei n° 3.639/2005, que impõe a criação de ciclovia em rodovias; Lei n° 3.721/2005, que institui oficialmente a Jornada Na Cidade sem Meu Carro e o Dia da Mobilidade e Acessibilidade em favor do uso da bicicleta; Lei n° 3.885/2006, que assegura a política de mobilidade urbana de incentivo ao uso da bicicleta; Lei n° 4.030/2007, que cria o Dia do Ciclista (26 de outubro) e prevê a realização de eventos, como debates e palestras, com o objetivo de difundir o uso da bicicleta; Lei n° 4.216/2008, que permite o transporte de bicicleta no metrô.
De forma semelhante, nossa Lei Maior, a Lei Orgânica do Distrito Federal, prevê a priorização do transporte não motorizado. O capítulo sobre transporte (artigo 335, parágrafo segundo) estabelece: “O Poder Público estimulará o uso de veículos não poluentes e que viabilizam a economia energética, mediante campanhas educativas e construção de ciclovias em todo o seu território.”

quarta-feira, 24 de março de 2010

Aliança das Capitais e a mobilidade no DF

No evento internacional Aliança das Capitais, realizado em Brasília de 22 a 25 de março, o foco das discussões é a mobilidade urbana.
Ao lado de autoridades internacionais no assunto, lá estava nosso representante do Distrito Federal, senhor Alberto Fraga, deputado federal e ex-Secretário de Transportes, falando sobre os avanços no setor de transportes.

Fraga fala sobre o sistema de transporte local

Entre as melhorias feitas pelo Governo do Distrito Federal, Fraga destacou: renovação de frota de ônibus; retirada das vans; implantação do VLT (que vai devastar o canteiro central da W3, sem retirar espaço dos carros); pintura padronizada dos táxis; criação de 61 km de ciclovias, incluídos os “acostamentos cicláveis” (a promessa do maior programa cicloviário da América Latina eram 600 km de ciclovias até 2010).
O braço direito do ex-governador Arruda, preso há mais de trinta dias, falou muito e, depois, não ficou para o debate. Uma atitude tipicamente autoritária, que reflete o comportamento dos críticos da democracia, que não consideram importante a opinião do povo. Uma conduta similar foi observada no final do ano passado (http://www.youtube.com/watch?v=qSyxh21HNqI).
Vale destacar a intervenção feita por membros da Bicicletada. Com faixas, houve reivindicação do bicicletário no local do evento. Apesar da inauguração recente do Museu Nacional e do tema do evento, não há vagas para bicicletas.

Fiquem atentos, gringos: where’s the bike parking?

Confira, no YouTube, parte da apresentação do representante do Distrito Federal:
http://www.youtube.com/watch?v=FGTp-CRCc8c
O contraste entre medidas significativas – investimento em metrô, restrição aos carros e criação de espaços seguros aos ciclistas – de outras capitais, como Otawa e Washington, e os avanços no DF (pintura de táxi e criação de abrigos de ônibus) chamou atenção do público.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Contradições governamentais

Em entrevista recente do secretário de transportes, fica clara a política de transportes do GDF.

O discurso de incentivo ao transporte coletivo se esvai ao expor as obras em andamento: alargamento de viadutos, ampliação de vias, construção de marginais, entre tantas outras.


O discurso:

A realidade:



Fonte: Jornal de Brasília, em 9 de outubro de 2009


E viva as linhas verdes, os bairros ecológicos e os 600 km de ciclovias até 2010!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Grupo de estudo e ações em favor dos não motorizados

Discussões e intervenções no Eixão
Por cidades mais humanas


Uma vez por semana, o espaço sagrado da alta velocidade e da fluidez motorizada dá espaço para os seres humanos caminharem, pedalarem e aproveitarem sem pressa as pistas do Eixão.
O grupo de estudo da Bicicletada teve o segundo encontro no dia 12 de julho (domingo). Além das discussões teóricas, o pessoal partiu para a ação. Bicicletas e frases foram pintadas no Eixão da Morte.
O objetivo da ação foi despertar para a necessidade de repensar a cidade. A cidade deve ser para os motores ou para as pessoas? Queremos mais pistas e viadutos ou mais respeito e espaço aos seres caminhantes e pedalantes?
Algumas pessoas, curiosas com a movimentação e o giz branco traçado no asfalto escuro e cheio de fuligem, paravam e perguntavam sobre o significado. Descobrimos uma forma de demarcar o devido espaço das magrelas e, ao mesmo tempo, dialogar com as pessoas.


Bicicletas pelo asfalto
Saruê: mais uma vítima da máxima fluidez motorizada

Café-almoço e bate-papo

Bicicletas por um mundo melhor

terça-feira, 7 de julho de 2009

rumo ao colapso...

TRÂNSITO CAÓTICO
Carros para todo lado

Mais engarrafamentos à vista: em um ano, o Distrito Federal terá a quarta maior frota de veículos do Brasil

Adriana Bernardes
Helena Mader
Leilane Menezes

Vias cada vez mais congestionadas, vagas escassas e motoristas brasilienses com os nervos à flor da pele. A cidade que nasceu planejada e tem na imensidão das avenidas um convite para o automóvel, se vê às voltas com o caos no trânsito. Os problemas resultam de uma combinação complicada: aumento vertiginoso da frota e transporte público incapaz de reduzir a demanda pelo carro. Nos próximos meses, Brasília baterá a marca de 1,1 milhão de veículos nas ruas, e em junho de 2010, vai superar Curitiba em total de carros. Será a quarta colocada entre as cinco capitais com a maior quantidade de veículos. Também pertencem ao grupo Belo Horizonte, Rio de Janeiro e a campeã São Paulo (veja quadro na página 24).

O inchaço no trânsito toma o tempo e altera a rotina da população, ainda mais às segundas e sextas-feiras, quando o fluxo de veículos aumenta em cerca de 40%. Há cinco anos, o funcionário público Pedro Pinheiro Filho, 54 anos, saía de casa, em Sobradinho, às 7h e às 8h já estava no trabalho, na Câmara dos Deputados. Hoje, ele demora quase uma hora a mais para chegar ao mesmo destino. “Levanto às 5h todo dia. Às 6h30, tenho de pegar a estrada, caso contrário, entro no horário de pico e chego muito atrasado, quase às 9h”, conta. As idas ao Setor Bancário Sul são frequentes e os problemas também: “Não tem vaga de estacionamento. Ou paro na calçada ou carrego o carro na cabeça”.

Mantido o quadro atual, a situação tende a piorar. Atualmente, a capital federal ocupa a quinta posição no ranking, com 1.086.015 veículos (número atualizado em maio). O Correio fez uma projeção do crescimento da frota das cinco capitais até 2020. Com base no percentual de aumento registrado no último ano, e mantidas as condições atuais, em 11 anos Brasília terá 2.584.248 veículos em circulação. Será a terceira capital em número de carros, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Projetos
O secretário de Transportes, Alberto Fraga, reconhece o problema e garante que o aumento da frota é uma grande preocupação para o governo. “O futuro do trânsito de Brasília é tenebroso, mas o governo está atento à necessidade de intervenções para evitar esse caos. Com o Brasília Integrada, vamos retirar pelo menos 30% da frota de carros das ruas.”

A aposta do governo para deter o caos no trânsito é melhorar o sistema de transporte público, com a criação de faixas exclusivas para ônibus, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a ampliação das linhas de metrô e a construção de novos terminais rodoviários.

Fraga chegou recentemente de uma visita à Europa com o governador José Roberto Arruda — na França, a comitiva do GDF conheceu sistemas de transportes como o VLT. O secretário considera os veículos leves sobre trilhos uma excelente saída para os problemas do trânsito. “No Eixo Monumental e na Esplanada dos Ministérios, por exemplo, o VLT poderia substituir uma enorme quantidade de veículos. A frota está crescendo com muita rapidez e o governo tem que reagir a isso”, finaliza.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

É Hoje!

Hoje tem Bicicletada!

Hoje será dia especial pra quem anda de bicicleta em Brasília. Pra quem sente, como o vento na cara, todas as dificuldades e a desgraça que é viver numa cidade organizada para as máquinas automotivas. Uma cidade fria, cidade-cemitério. As pessoas que pensam mandar nessa cidade, se esforçam pra transformar brasília numa cidade asceta. "Rua não é lugar pra conversar". Casa-trabalho, trabalho-casa, dentro de uma caixa hermeticamente fechada para evitar o máximo de contato com o mundo. Mas ainda há quem ouse resistir.

Hoje é uma sexta-feira, a última do mês. E nas últimas sextas, pessoas das mais diferentes se encontram pra pedalar, festejar na rua, reivindicar o espaço, questionar as organizações das cidades, pensar outras formas de se locomover, trocar sorrisos, ideias e retomar um pouco suas vidas. É o que chamamos de Bicicletada, ou Massa Crítica. Hoje, nesse sentido, não vai ser diferente. Mas será um pouco mais especial. Nesse dia o cimento duro do museu nacional, se transforma oficialmente (mas não burocraticamente) nas Praça das Bicicletas.

As praças em Brasília são lugares vazios que boa parte das vezes se prestam a homenagear a opulência do poder. Nos apropriemos disso e transformermos a Praça das Bicicletas num lugar de encontros. Quem aí não está cansadx de diversão privada? De cercas, de muros, de faltas de calçadas. Que saco, as ruas tem que ser de todo mundo.

Então apareça por lá. Como puder. Bicicleta, patinete, skate, patins, a pé. Leve música, tinta, apito, gritos. Faça barulho, faça arte. Além de instalar a Placa da Praça, a Bicicletada também vai prestar uma homenagem aos ciclistas assassinados pelo trânsito em Brasília, e fazer uma festa na rua. De graça, sem dono e sem chefe. Depois da festa, a gente sai todo mundo que tiver lá para uma volta pelas ruas. Nos vemos lá?

Só pra resumir:
Bicicletada!
Hoje, dia 29/05, sexta feira.
18h festa na rua, 20h rolê pelas ruas.
Praça das Bicicletas.
Cimento do Museu Nacional

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ciclistas continuam pagando o pato pela incompetência do GDF

Segue notícia na íntegra:
Criança de seis anos morre atropelada na Estrutural

Por Naira Trindad
Correio Braziliense


Uma criança de seis anos morreu no final da tarde desta segunda-feira (4/5) depois de ser atropelada por um caminhão na Estrutural. Segundo informações do Corpo de Bombeiros o menino Gabriel dos Santos Pereira foi atropelado por um caminhão caçamba carregado de terra.Gabriel estava sentado no cano de uma bicicleta guiada pelo irmão mais velho, de 10 anos. Ao passar em frente a loja 30, conjunto J1, da AE 4, na Avenida Luís Estêvão, o irmão mais velho teria desequilibrado no apertado espaço que ficou entre o caminhão que passava pela rua e um veículo que estava estacionado irregularmente em cima da calçada.(1) As duas crianças caíram. Gabriel caiu para o lado do caminhão e bateu o lado esquerdo da cabeça no pneu. Ele morreu na hora.A mãe dos dois meninos, Maria Zélia dos Santos Pereira, 34, estava inconformada. Separada do marido, ela mora em outra casa com duas filhas, irmãs de Gabriel. Ele e dois irmãos permaneceram com o pai. "Eu não queria que o pai desse a bicicleta para eles", lamenta a doméstica, desesperada com a perda do filho caçula.(2) O motorista Raimundo José Vieira, 52 anos, foi recolhido ao posto policial da Estrutural e levado à 8ª Delegacia de Polícia (SIA), para depor. Ele presta serviço há dois anos para a empresa Compacta Construtora e Projetos Ltda. No momento do atropelamento, o caminhão estava carregado com terra. De acordo com o delegado de plantão da 8ª DP, Paulo Carvalho, o motorista vai responder por homicídio culposo (sem intenção de matar). -----

Minhas considerações:

(1) Mais uma vez, fica claro a falta de conhecimento e falta de respeito dos motoristas pelos ciclista.
Nao importa se são adultos, atletas, trabalhadores ou crianças.
Todos os veículos devem respeitar a lei e manter a distância de segurança das bikes, que é de 1,5 M.
Poxa vida, o que é um metro e meio???

(2) Fica nítido o que a bike representa para a comunidade de um modo geral, insegurança e preocupação.
Ao invés das pessoas terem motivos para usar cada dia mais a bike, ocorre o inverso, casos como esse, que infelizmente são frequentes, só fazem as pessoas terem mais e mais medo de sair de bike nas ruas, e só fazem com que os pais proíbam seus filhos de pedalar...

E enquanto isso, o Fraga e o GDF continuam gastando nossa grana com obras e mais obras, a ultima noticia é de que liberaram não sei quantos milhões para construirem uma nova sede do Governo Distrital, depois vou procurar mais informações sobre isso...
E para completar, ainda acabei encontrando mais uma notícia de ontem:

Ciclista é atropelada na Asa Norte

Publicação: 04/05/2009 09:37 Atualização: 04/05/2009 11:13

Uma ciclista foi atropelada na manhã desta segunda-feira (4/5), por volta das 8h43. O acidente ocorreu em frente ao supermercado Extra da Asa Norte. Roseane Almeida Guimarães, de 23 anos, foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Roseane foi submetida a um exame de Raio X e passará por um tomografia. Segundo a assessoria do hospital, a paciente está consciente e agitada. Ela está em observação. O caso é avaliado pela neuro cirurgia e cirurgia geral.

http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2009/05/04/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=104883/noticia_interna.shtml

Só lamento....

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ciclista morre atropelada por caminhão

Correio Braziliense
Da Redação

Publicação: 24/04/2009 08:21
Atualização: 24/04/2009 09:04

Uma ciclista morreu na manhã desta sexta-feira, por volta das 6h50, na BR-040. Segundo informações de testemunhas, uma carreta teria atropelado a mulher, na altura do km 12 da via, próximo ao Jardim Ingá. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirma que o veículo responsável fugiu e ainda não foi localizado. O corpo da mulher está no local aguardando perícia. Uma faixa da BR está fechada, mas não há complicações no trânsito. Nas demais vias que cortam o Distrito Federal, o trânsito segue tranquilo, sem pontos de retenção. É o que afirma a Central Integrada de Atendimento e Despacho (Ciade) da Polícia Militar. Na Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG) houve um acidente, por volta das 8h10. Uma viatura da PM foi deslocada para o local, mas de acordo com agente dos posto policial localizado na via, a colisão não complica o fluxo de veículos.

...

Enquanto isso, o GDF anuncia que vai implantar corredores exclusivos de ônibus na EPTG, até que seria uma boa notícia... MAS... como os corredores vão ocupar espaço na via, serão construídas mais quatro faixas de rolamento (duas para ir e duas para voltar) para veículos particulares.

OU seja, o GDF faz pouco caso dos ciclistas, sua política de segregação se alastra cada vez mais e nós, temos que pedalar indefesos, disputando espaço com carros, motos, ônibus e caminhões.

Como pode, o GDF suspender as obras das ciclovias previstas no tão famigerado programa PEDALA DF, dizendo que por causa da crise não tem verba para continuá-las, e ao mesmo tempo anunciar a construção de mais quatro faixas de rolamento numa via onde o fluxo de veículos já é pra lá de desastroso...

Esse é o incentivo que o GDF dá para sua população.

Ao invéz de investir em transporte publico de qualidade, em ciclovias, em programas de educação no trânsito, prefere gastar milhões ampliando as vias e incentivar ainda mais o uso egoísta dos carros.

Enquanto a população permanece calada, fatos como esse se tornam mais e mais parte do nosso cotidiano!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Exclusivo: Brasília, 49 anos

Presente de aniversário aos não motorizados
Texto e Fotos: Uirá Lourenço


No dia 21 de abril de 2009, Brasília fez 49 anos. Foi um feriado com muitas atrações na Esplanada dos Ministérios.
O clima festivo era visível. Moradores da cidade e turistas puderam aproveitar a programação. O dia só não foi de festa aos não motorizados, ciclistas e pedestres que resolveram desfrutar a tradicional paz no Eixão aos domingos e feriados.
Apesar de o governo pretender acabar com o lazer no local, o Eixão revela-se um importante espaço de convivência e prática esportiva para a população. A justificativa do Secretário de Transportes para a tentativa de reabertura para carros, em maio do ano passado, era a necessidade da via para a fluidez da mega-frota motorizada do DF.

Um típico domingo de lazer no Eixão sem carros: milhares de pessoas, além de cachorros, aproveitam a via para lazer e esporte.


Não é possível causar transtorno no trânsito da cidade para nem 100 pessoas passearem com cachorrinho.”
Alberto Fraga, Secretário de Transportes do Distrito Federal
(Correio Braziliense, 15 de maio de 2008)

No feriado de 21 de abril, a ligação entre as partes sul e norte do Eixão foi liberada para os carros e os seres não motorizados foram proibidos de circular pelo local. A Polícia Militar armou um grande esquema para proibir a circulação de pessoas e liberar o fluxo de carros. Os atletas que corriam e as pessoas que andavam, pedalavam e passeavam com a família foram impedidos de passar pela barreira montada nos dois lados do Eixão. Formou-se uma barricada física e humana – com cones, viaturas e policiais – para barrar a passagem.

Barricada contra os não motorizados no início do Eixão Sul


Barricada contra os não motorizados no início do Eixão Norte

As pessoas sem carro que tentavam passar pela barreira eram alertadas com sirene e gritos pelas autoridades de trânsito, como se fossem criminosos. Enquanto isso, os carros seguiam livremente pela pista. A orientação dada pelos agentes de trânsito era que se desviasse pela plataforma superior, em meio ao intenso fluxo de carros e ônibus. Um detalhe importante: dos cinco policiais no Eixão Sul, nenhum foi capaz de ajudar na travessia dos inúmeros pedestres e ciclistas que eram obrigados a atravessar a pista e ir pelo caminho alternativo.
Perguntei a um dos policiais o motivo do bloqueio. A resposta foi: “as pessoas não podem passar, pois temos que liberar para o fluxo de carros.”

Ciclistas arriscam-se entre os carros após a reabertura do Eixão para os carros

Vídeo: Guardas impedem a passagem de ciclistas e pedestres

Carros por todos os lados

Na Esplanada, palco da festa, os automóveis também tinham lugar cativo.
Apesar do metrô gratuito e do ônibus mais barato no dia da comemoração, os carrólatras insistiram em invadir os espaços para circulação das pessoas.
Os gramados próximos à rodoviária e ao teatro viraram estacionamento. As milhares de pessoas que transitavam pelo local tiveram que ceder espaço e correr risco em meio aos automóveis.

Carros estacionados no gramado ao lado do Teatro Nacional


Carros no canteiro ao lado da rodoviária

Apesar de não serem bem-vindos, era fácil constatar a alegre presença dos ciclistas.

Ciclistas marcaram presença na Esplanada

No próximo ano, a festa deve ser ainda maior, em comemoração aos 50 anos. Considerando a prioridade aos motorizados neste ano, é possível que em 2010 tenhamos todo o Eixão e todo o canteiro central da Esplanada liberados para os carros. E quem sabe multa e prisão aos pedestres e ciclistas que ousarem adentrar o espaço da festa.

Vale lembrar às autoridades alguns artigos do Código de Trânsito Brasileiro, com validade em todo o país, inclusive no Distrito Federal.

Art. 21. Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:

(...)

II - planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas;

(...)

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:

(...)

§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pedala-DF: verdade x mito

10 de abril de 2009
Pedala-DF: Promessas, fatos e propaganda
Texto e fotos: Uirá Lourenço


O Pedala-DF é o programa cicloviário criado pelo Governo do Distrito Federal. Com o intuito de promover o transporte por bicicleta, ele tem a meta de criar, até 2010, 600 km de ciclovias.
O sítio do Pedala-DF (http://www.pedala.df.gov.br/) expõe de forma clara a promessa: “Nossa meta é construir, até 2010, a maior malha cicloviária da América Latina, com 600 km de extensão. É muito mais mobilidade, segurança e qualidade de vida para a população.”
Até abril de 2009, foram inaugurados apenas 42 km de ciclovias, 7% do total previsto. Ou seja, ainda faltam 558 km, a serem construídos até o próximo ano.
No dia 22 de março, antes do início da prova Audax 200 em Brasília, foram distribuídos a todos os inscritos dois panfletos do programa cicloviário. Segundo o material impresso, “os acostamentos do Lago Sul e do Lago Norte receberam uma sinalização especial para aumentar a segurança dos ciclistas.”


O texto prossegue: “Os acostamentos receberam marcações vermelhas no piso sempre antes e depois de zonas compartilhadas com automóveis (nas entradas e saídas de quadras e comércios) e com ônibus (nos pontos de ônibus).”




Capa de um dos panfletos distribuídos.


Texto e ilustração dos panfletos.

Apesar de não ser morador dos bairros mencionados, passo eventualmente pela região e havia pedalado por lá no dia do Audax, já que o trajeto incluía as vias do Lago Sul e do Lago Norte. Não havia notado diferença na sinalização dos acostamentos, além das palavras quase apagadas “Atenção Ciclistas”, pintadas em alguns pontos.
De qualquer forma, pedalei na via que percorre o Lago Norte, no dia 09 de abril, e na região do Lago Sul, no dia seguinte. A intenção era encontrar os acostamentos com sinalização especial – marcações vermelhas.



Após vários quilômetros percorridos sob sol forte, eis o resultado:

- LAGO NORTE





Acesso a comércio sem sinalização especial.




Palavras pintadas no acostamento estão apagadas. Supõe-se que as palavras fossem “Atenção Ciclistas”.



Acostamento, calçada e parte de uma das faixas de rolamento bloqueadas por um caminhão.




Falta de sinalização em acesso a quadra residencial causa conflito entre motorista e ciclista.



Drenagem ruim dificulta o tráfego de ciclistas pelo acostamento.




Um dos ciclistas observados durante o percurso. Muitos utilizam bicicleta como meio de transporte.



Uso infantil de bicicletas reforça a importância de investimento em segurança e respeito no trânsito.



Bicicletas estacionadas em árvores ao longo da via confirmam a presença de ciclistas e
a necessidade de investimento em infraestrutura cicloviária.



- LAGO SUL




Buracos, desníveis e falta de qualquer tipo de sinalização no acostamento da via que percorre o Lago Sul.



Crateras presentes no acostamento contrastam com as boas condições da recente pavimentação da pista.


Sinalização horizontal apagada.




Mais um trecho de acostamento em péssimas condições e sem qualquer
sinalização, em contraste com o asfalto liso e as faixas pintadas da pista.


Ponto de ônibus sem marcações vermelhas e com água empoçada em dia ensolarado.




Acesso a um centro comercial sem sinalização especial.


Acostamento com buracos, poças d’água e brita, que dificultam e até impedem o tráfego de bicicletas.



Acesso sem qualquer tipo de sinalização especial para advertir motoristas quanto à presença de ciclistas.



Com base nas pedaladas e no registro fotográfico feito no local, conclui-se que o material impresso, publicado e distribuído pelo GDF, divulgou informações falsas, uma autêntica propaganda enganosa. A despeito da necessidade de maior segurança aos atuais e futuros ciclistas do Distrito Federal – em 2008, 54 ciclistas morreram nas vias do DF –, os acostamentos não receberam sinalização especial. Nas regiões do Lago Norte e do Lago Sul, não há sinalização horizontal nem vertical voltadas aos ciclistas. Sobram buracos, água empoçada e desníveis nos acostamentos.






quinta-feira, 2 de abril de 2009

Fotos das Bicicletadas

A Bicicletada (massa crítica) foi retomada na capital federal e muitos ciclistas têm aderido ao movimento a cada mês. A alegria e as manifestações estão presentes nas ruas na última sexta-feira de cada mês. A concentração ocorre a partir das 18h30, no cimentão (vulgo Museu da República) localizado próximo à Catedral.

Sem dúvida, um espaço para interagir, conhecer pessoas bacanas, cantar, reivindicar e, obviamente, retomar as ruas! Nossas magrelas também são veículos! Aliás, veículos não poluidores, não barulhentos e que ocupam espaço ínfimo nas vias.

Confira algumas fotos das Bicicletadas em Brasília:

Bicicletada de setembro de 2008


Bicicletada de setembro de 2008


Bicicletada - Dia Mundial sem Carro (22/9/2008)

Bicicletada das Bruxas (outubro/2008)

Bicicletada das Bruxas (outubro/2008) - pintura de ciclofaixas



Bicicletada de janeiro/2009 - Protesto contra mortes de ciclistas


Bicicletada de janeiro/2009 - Protesto contra mortes de ciclistas



Bicicletada de março/2009 - camisetas estilizadas



Bicicletada de março/2009 - a W3 é nossa!