Mostrando postagens com marcador pedala-df. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pedala-df. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

GDF não cumpre promessa de construir 280 km de ciclovia

As ciclovias prometidas para o fim do ano, ficaram só no papel. A promessa foi feita há 40 dias e as obras nem começaram. O Distrito Federal tem 42 km de ciclovia construídos e outros 68 km em obras.


A promessa foi feita no dia 22 de setembro pelo governador Rogério Rosso, que prometeu investir R$ 54 milhões em 280 quilômetros de ciclovias até o fim do mandato. Mas, se foi um incentivo para quem queria trocar o carro pela bicicleta, não funcionou. Quase 40 dias depois, nada de obra.

“O tempo está acabando, o governo está se encerrando. Na próxima semana entra o governo de transição e as prioridades são outras e a gente fica na expectativa”, afirma o presidente da ONG Rodas da Paz, Ronaldo Alves.

O governo não concluiu nem as ciclovias que já estavam em construção, como as de Ceilândia, Santa Maria e Recanto das Emas. Em muitas cidades, os ciclistas ainda esperam para poder pedalar com tranquilidade. Em São Sebastião, a ciclovia começa no fim da cidade.

“A gente anda de bicicleta na pista junto com os carros, aí corre perigo de ser atropelado a qualquer hora. Eu já fui atropelado uma vez”, conta o estudante Weslei Oliveira

A pista segue por 12 km e é considerada a melhor do DF, mas ao longo da via o ciclista tem que parar várias vezes e a ciclovia termina no meio do nada. Ela liga São Sebastião a lugar nenhum. A pista acaba em frente a um condomínio, na estrada que segue para o Paranoá.

Para seguir para o Lago Sul, os ciclistas pegam as ciclo faixas, que ficam no acostamento e onde enfrentam velhos problemas. “Tem carros que passam bem perto, tirando o fino da gente, tem momentos que o motorista tem que ir com cuidado”, disse o jornaleiro Marcos Jesus.

O jardineiro Anilson José Dias que trabalha no Lago Sul e mora em São Sebastião sonha com o dia em que vai fazer todo o trajeto na ciclovia. “Bom para o trabalhador e pra quem quer fazer caminhada pela manhã. A passagem do ônibus é cara e a ciclovia ajuda muito. Eu já fui atropelado e o motorista fugiu”, conta.

A Novacap, que responsável pelas obras, informou que não vai comentar sobre o assunto porque os recursos anunciados pelo governador não foram remanejados para as ciclovias.

Renata Feldman / Luis Ródnei

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Centro comercial recém-inaugurado revela-se inimigo de ciclistas e pedestres

Texto e fotos: Uirá Lourenço
7/4/2010


No dia 31 de março, pedalei pela via do Lago Norte (Estrada Parque Península Norte, DF-009) até o Iguatemi, inaugurado no dia anterior. Apesar da distância curta (cerca de quatro quilômetros de onde eu estava), o trajeto não foi dos mais fáceis e não recomendo a ciclistas sem experiência no trânsito selvagem do dia a dia.
Saí do final da Asa Norte (próximo aos supermercados Extra e Carrefour), peguei parte do Eixão Norte, ponte do Bragueto e, então, a via de acesso ao Lago Norte. Em nenhum momento, pude desfrutar de qualquer facilidade ao ciclista (ciclofaixa, ciclovia nem calçada compartilhada).
Na chegada ao shopping, a primeira surpresa: o acesso de pedestre não está pronto. Contornei o terreno e avistei o estacionamento. A placa próxima à entrada sinalizava para carros (valet) e motos.


Acesso de pedestre em construção

Sinalização para usuários de moto e carro

Um ser de bicicleta deveria ir para que lado? Entrei no primeiro acesso ao shopping e avistei um rapaz. O diálogo com o funcionário responsável pelo acesso ao estacionamento foi emblemático:

Eu: Boa noite. Vou ao shopping. Tem vaga para estacionar minha bicicleta?
Funcionário: Aqui nessa parte não tem.
Eu: Então, onde posso parar?
Funcionário: Essa área é a internacional. Não tem lugar pra bicicleta.
Eu: Internacional, como assim?
Funcionário: É, por causa da Luis Vuiton. É área de acesso à loja.
Eu: Se não tem vaga na área internacional, onde posso parar?
Funcionário: Dá a volta e vê se tem na outra parte.

Pedalei até a outra parte do estacionamento. Procurei vagas para bicicletas, mas não as encontrei. Decidi voltar para a entrada e conversar, novamente, com o funcionário do shopping. Antes de encontrá-lo, avistei uma placa na entrada do estacionamento internacional e desisti de ter outro diálogo, afinal a placa é muito clara: bicicletas não são bem-vindas.




No acesso ao Iguatemi, a sinalização indica a proibição de acesso de bicicletas

A administração do Iguatemi deve imaginar que usuários de bicicleta não tenham condições de consumir nas lojas de grifes internacionais. Esquecem-se que, por razões ambientalistas, urbanísticas e até por moda, o uso de bicicleta tem sido promovido em cidades de diversos países.
Não precisa recorrer a exemplos do exterior para constatar que o acesso a lojas pode ser mais democrático, de forma a possibilitar o acesso de ciclistas. Aqui na capital federal, o Conjunto Nacional dispõe, há mais de um ano, de vagas gratuitas e cobertas para bicicletas. Foi feita, inclusive, campanha de estímulo ao uso de bicicleta.

Bicicletário coberto e gratuito do Conjunto Nacional

Considerando que o Iguatemi foi construído pela construtora do empresário e ex-governador Paulo Octávio e que o GDF prioriza os modos de transporte coletivo e não motorizado, segundo o discurso repetido em eventos e divulgado em anúncios publicitários, era de se esperar que fossem reservadas vagas gratuitas e cobertas para os usuários de bicicleta.
Infelizmente, a área internacional do Iguatemi não teve como inspiração a Holanda ou Dinamarca, países que notadamente incentivam o uso de bicicleta.

Acostamentos cicláveis e criação de terceira faixa para carros

Não bastasse a proibição de acesso ao shopping, o ciclista enfrenta dificuldades ao trafegar na via que passa pelo Lago Norte, a Estrada Parque Península Norte (EPPN), DF-009.
O chamado acostamento ciclável (nome dado pelo governo ao espaço reservado aos ciclistas nos acostamentos de algumas vias) só começa a cerca de 500 metros do shopping e não segue até o final do Eixão Norte (DF-002). Em frente ao centro comercial não existe sequer o acostamento “normal”. Apesar de o governo qualificar como ciclável o espaço no Lago Norte, o código de trânsito já prevê a circulação de bicicletas no acostamento, sem necessidade de qualquer obra. A definição da lei é clara: “acostamento - parte da via diferenciada da pista de rolamento destinada à parada ou estacionamento de veículos, em caso de emergência, e à circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local apropriado para esse fim”.
O acostamento que existia no Lago Norte cedeu espaço para a terceira faixa de circulação de carros, do shopping Deck Norte até a ligação com o final do Eixão.


Em ambos os lados da via, o acostamento virou terceira faixa para carros

Os ciclistas que passam pelo Lago Norte enfrentam outras dificuldades. A imprudência e o excesso de velocidade dos motoristas são facilmente observados. Em meia hora, mais de vinte carros invadiram o acostamento. O limite teórico de velocidade na via é alto – 70 km/h – e dificulta a convivência entre ciclistas e motoristas, especialmente nos locais sem acostamento. É fácil constatar que, apesar de alto, o limite de velocidade não é respeitado por muitos motoristas.

Limite de velocidade de 70 km/h ao longo da EPPN

Ao eliminar o acostamento na via do Lago Norte e criar a terceira faixa, o governo local faz uma escolha bem clara: põe em risco a vida de ciclistas para oferecer maior fluidez aos motoristas. Apenas neste ano, pelo menos seis pessoas já morreram em vias do Distrito Federal enquanto pedalavam, quatro apenas no mês de março. Os dados têm como fonte notícias divulgadas pela mídia local, pois os dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) estão desatualizados e vão até o mês de dezembro de 2009. Os números de mortes nas vias do DF até março de 2010 não estão disponíveis no sítio de internet nem na assessoria de comunicação do órgão de trânsito.
Apesar das mortes e dos ferimentos frequentes de ciclistas, decorrentes da falta de condições propícias às pedaladas, o órgão de trânsito não possui campanha voltada especificamente ao uso da bicicleta como meio de transporte. “Não tem nada voltado ao ciclista, não temos ação prevista. No momento, estamos focados no pedestre, em função do aniversário da campanha da faixa de pedestre”, afirma Maria da Penha, assessora de comunicação do Detran-DF.
A sinalização dos acostamentos cicláveis do Lago Norte está incompleta e não corresponde ao previsto no projeto inicial. Segundo o informativo do Pedala-DF distribuído em março de 2009, os pontos de conflito entre ciclistas e motoristas estariam destacados com pintura vermelha.
O gerente do Programa Cicloviário do Distrito Federal (Pedala-DF), Leonardo Firme, foi procurado por e-mail. Foram enviadas perguntas sobre as condições de segurança aos ciclistas a via que passa pelo Lago Norte. No entanto, não houve respostas.

Em pontos de ônibus e acessos a quadras (pontos de conflito), falta pintura vermelha no asfalto

Segundo o material informativo do Pedala-DF, distribuído em março de 2009, os acostamentos do Lago Sul e do Lago Norte possuem marcação vermelha nas zonas compartilhadas com automóveis e ônibus

O discurso do GDF de priorização do transporte não motorizado e o fato de haver uma gerência (Pedala-DF) apenas para tratar da mobilidade por bicicleta não resistem a uma breve caminhada pela cidade. É fácil constatar que pedalar e caminhar em Brasília, mesmo na área central, são tarefas árduas. A mega-frota motorizada (segundo o Detran-DF , a frota já chega a 1 milhão e 162 mil carros) ganha mais espaço por meio das diversas obras viárias projetadas e em execução. A prioridade ao automóvel que ocorre na prática contraria diversas leis em vigência no Distrito Federal, inclusive a Lei Orgânica, que preveem justamente a prioridade ao transporte não motorizado (confira abaixo).
A meta inicial de 600 km de ciclovias, que seriam entregues até 2010, certamente não será alcançada. E o Plano Piloto, que concentra a maioria dos empregos e dos deslocamentos diários, ainda se caracteriza pelas vias expressas e pela carência de vias e segurança para ciclistas. O projeto do governo que pretende disponibilizar estações para aluguel de bicicletas, previsto inicialmente para o ano passado, também não saiu do papel.

Legislação pró-ciclista

Em tramitação na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o projeto de lei nº 2103/2005 pretende obrigar a instalação de bicicletários (locais com vagas de estacionamento para bicicletas) em lojas, supermercados e centros comerciais. O projeto já passou por análise nas comissões permanentes e aguarda aprovação dos deputados em plenário.
Já em vigência, a lei distrital nº 4.397/2009 criou o sistema cicloviário do Distrito Federal e prevê incentivos ao uso da bicicleta. No artigo segundo, a lei afirma que o sistema será composto por dois itens: rede viária para o transporte por bicicletas, formada por ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas e rotas operacionais de ciclismo; locais específicos para estacionamento: bicicletários e paraciclos.
Outras leis distritais que estimulam o uso da bicicleta podem ser citadas: Lei n° 3.639/2005, que impõe a criação de ciclovia em rodovias; Lei n° 3.721/2005, que institui oficialmente a Jornada Na Cidade sem Meu Carro e o Dia da Mobilidade e Acessibilidade em favor do uso da bicicleta; Lei n° 3.885/2006, que assegura a política de mobilidade urbana de incentivo ao uso da bicicleta; Lei n° 4.030/2007, que cria o Dia do Ciclista (26 de outubro) e prevê a realização de eventos, como debates e palestras, com o objetivo de difundir o uso da bicicleta; Lei n° 4.216/2008, que permite o transporte de bicicleta no metrô.
De forma semelhante, nossa Lei Maior, a Lei Orgânica do Distrito Federal, prevê a priorização do transporte não motorizado. O capítulo sobre transporte (artigo 335, parágrafo segundo) estabelece: “O Poder Público estimulará o uso de veículos não poluentes e que viabilizam a economia energética, mediante campanhas educativas e construção de ciclovias em todo o seu território.”

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Audiência pública debateu programas do governo e propôs melhorias

por Luciana Melo

Incentivar o uso de bicicletas como meio de transporte em condições seguras para os ciclistas é uma alternativa para diminuir os longos engarrafamentos que se formam em diversos pontos do Distrito Federal, todos os dias. Mas apesar da iniciativa ajudar a resolver parte do trânsito conturbado, muitos ciclistas afirmam que ainda não é possível trafegar livremente pelas ruas devido à falta de estrutura e segurança para este tipo de transporte.

Para muitos que utilizam a condução, a situação cicloviária no DF não está perto do que foi previsto no programa de reestruturação proposto pelo governo local. Entre as principais reclamações está o atraso na conclusão das ciclovias.

Foram tantas as reivindicações informais da categoria em diversas oportunidades, que motivaram uma audiência pública - realizada ontem no Parque da Cidade - entre representantes da Câmara Legislativa e usuários do meio de transporte. Diversos pontos do andamento do programa e das mudanças que ainda são necessárias foram debatidos no encontro.

PROGRAMA SERÁ EFETIVADO

Na ocasião, vários parlamentares se pronunciaram quanto a situação dos ciclistas no DF. Os representantes do governo, por sua vez, admitiram que o diagnóstico da situação não é dos melhores e que muito ainda há por ser feito pela categoria. Mas garantiram que o que foi programado irá ser efetivado da forma como havia sido prometido.

Segundo o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Rodas da Paz, Ronaldo Alves, a intenção do debate foi formalizar as necessidades dos ciclistas para que as soluções possam ser tomadas de forma a beneficiar os usuários e a sociedade, que lida diariamente com os esportistas pelas ruas.

Para Alves, se as novas vias de acesso para bicicletas forem feitas ou até mesmo as melhorias na questão da segurança, todos certamente sairão ganhando. "Se nós, ciclistas, tivermos por onde andar, não iremos disputar a pista com os carros. Muitos acidentes serão evitados e o volume de veículos nas ruas certamente irá diminuir. Todos irão ganhar, inclusive o meio ambiente".

Conscientização é primordial

A necessidade de investir em campanhas de conscientização da sociedade quanto ao respeito pelos ciclistas foi um dos temas mais debatidos na audiência pública. Para o gerente de Projeto Estruturante da Secretaria de Governo e coordenador do Programa Cicloviário do DF (Pedala-DF), Leonardo Firme, todas as iniciativas em favor do ciclismo são importantes, mas a conscientização da população é, sem dúvida, fundamental.

"Se cada um atuar em seu espaço, teremos sucesso em todas as áreas. E investindo na consciência do respeito ao ciclista e na infraestrutura necessária para que cada um tenha sua área de atuação, conseguiremos resolver muitas outras questões, como a redução dos congestionamentos e, até mesmo, melhorar a qualidade de vida da população".

Para o técnico eletrônico Elivelton Barbosa, que pedala há mais de dois anos, e utiliza a bicicleta como seu principal meio de transporte, a conscientização da sociedade é extremamente necessária. "Eu uso a bicicleta para ir trabalhar e já passei por diversas situações no trânsito. As pessoas não respeitam, não dão espaço e muitas vezes ainda fazem gracinha com a gente. Isso nos deixa totalmente inseguros. É muito ruim". Barbosa comenta que, por outro lado, encontrou no meio de transporte uma solução para seus problemas. "Eu levava muito tempo para me deslocar de casa até o trabalho. E hoje, com a bicicleta, chego muito mais rápido e com mais qualidade de vida, pois me estresso menos no trânsito".

Para o professor de Educação Física Diego Bezerra, a qualidade de vida é indiscutível, mas uma coisa que preocupa muito os ciclistas é a questão da segurança. "Pedalar nos permite menos estresse, menos tempo perdido dentro do carro, mas nos deixa muito mais inseguros quanto a nossa segurança."

SAIBA +

Em meio à audiência pública que debateu as melhorias necessárias no programa cicloviário, um ciclista chamou muita atenção. O professor de inglês Craig Alden pedalava pelo Parque da Cidade com seus três cães em cima da bicicleta.

Segundo Alden - que mora na Asa Norte -, ele encontrou no ciclismo um jeito diferente de passear com seus bichinhos de estimação e garante que os animais gostam muito da programação. Frequentador assíduo do Parque da Cidade, ele costuma dar voltas diárias pelas ciclovias do local. Os cães são, ainda, bons equilibristas.

Ciclovias no DF em discussão

O Parque da Cidade foi palco ontem de uma audiência pública para debater políticas para o ciclismo no DF. O evento foi realizado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da Câmara Legislativa, por iniciativa de seu presidente, deputado Paulo Tadeu (PT).

O presidente da Organização Não Governamental (ONG) Rodas da Paz, Ronaldo Martins, ressalta que o poder público só se meche pela comunidade e que a audiência pública é uma forma de manifestar e cobrar. “A vida do ciclista no DF é muito complicada, é preciso sobreviver no trânsito. Foram 26 mortos atropelados só em 2009 em Brasília”, exemplifica.

Com o objetivo de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte, será instalado no DF o sistema cicloviário, por meio da Lei n 4.397, de 31 de agosto de 2009, de autoria do deputado Rôney Nemer (PMDB). A intenção é de que sejam construídas ciclofaixas, faixas compartilhadas e rotas operacionais de ciclismo, além de condições para criação de bicicletários em prédios públicos, parques, centros de compras, escolas, indústrias, condomínios e de promover a integração do sistema cicloviário com o transporte coletivo de passageiros – ônibus, metrô e veículos leves sobre trilhos (VLT). Segundo o deputado Roney Nemer, a norma servirá ainda para que o ciclista conheça seus direitos e deveres, inclusive o pedestre em relação aos ciclistas. “Hoje há um número de carros excessivo. Devemos promover ações que diminuam o tráfego. Nossa intenção é de que haja harmonia entre motoristas, pedestres e ciclistas”, aponta.

DUAS RODAS
Dea Monteiro, 34 anos, usa a bicicleta diariamente para ir trabalhar e usa um apito para chamar a atenção dos motoristas. São 6 km de casa para o local de trabalho. “Acredito que para pequenas distâncias a bicicleta me atenda melhor do que o carro. Quando preciso que as pessoas me vejam, quando avisto um ponto de conflito e que não fui vista, uso o meu apito”, conta. Assim como ela, milhares de pessoas utilizam a bicicleta como meio de transporte no DF. Mas elas pedem segurança, lugares apropriados para transitar e mais respeito no trânsito. Para o ciclista Rafael Maya, as condições das vias hoje são precárias. Não há infraestrutura e falta respeito no trânsito. “Uma grande parcela da população precisa da bicicleta para ir trabalhar e muitas vezes sofre acidentes. Vemos projetos, leis, conferências, mas na prática ainda não existe nada”, reclama.

da Tribuna do Brasil:
http://www.tribunadobrasil.com.br/site/index.php?p=noticias_ver&id=4259

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cicloarmadilha

o perigo de quando acostamentos se disfarçam de ciclovia:

Domingo de sol.
Lago Sul.
Brasília-DF.
Ciclofaixa

Ponte sobre o Córrego Cabeça de Veado - QI 18

Ponte sobre o Córrego Cabeça de Veado - QI 18

Um pai leva seu filho para passear no "acostamento ciclável"

A ciclofaixa é apenas um traço de tinta no chão. E agora?

A ciclofaixa é apenas um traço de tinta no chão. E agora?

"Pai, vamos passar juntos dos carros?"

"Pai, vamos passar juntos dos carros?"

"Cuidado aí, filho..."

"Cuidado aí, filho..."

E dizem ser uma ciclofaixa projetada. Imagina se não fosse.....

E dizem ser uma ciclofaixa projetada. Imagina se não fosse.....

publicado em: http://biciclotheka.wordpress.com/2009/10/19/cicloarmadilha/

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Palestra do Ciclista

21 de outubro - 4ª feira – 19h30
PALESTRA DO CICLISTA
Local: Centro de Convenções
programação:
PEDALA DF - Situação do Projeto Cicloviário de Brasília
DETRAN - Legislação de Trânsito, condução Ciclística Defensiva e ações do
Detran voltadas para o ciclista
DEBATES

---
Segue abaixo foto do moderníssimo paraciclo instalado nesse novo e imponente prédio que é o Centro de Convenções.
Como vocês podem perceceber , os suportes do bicicletário têm desenho em U invertido, como recomendam os manuais de intervenções cicloviárias, e estão localizados bem em frente ao acesso principal, para dar maior comodidade aos usuários de bicicleta.Fotocortesia do nosso camarada Uirá.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Bicicletas públicas em Brasília?

http://www.st.df.gov.br

Morador do DF poderá se deslocar de bicicleta

(23/09/2009 - 10:16)

Um novo meio de transporte, ágil e livre de poluentes, deverá ser disponibilizado à população do DF ainda este ano. Assim como acontece nas cidades do Rio de Janeiro e Recife, será possível trocar o carro ou o ônibus por bicicleta. Na tarde de hoje (22), a Comissão de Licitação da Secretaria de Transportes recebeu proposta de habilitação técnica e de preço para a outorga de concessão de 50 estações de locação de bicicletas.

Apenas a licitante SERTTEL LTDA participou da Concorrência Nº 001/2009. A empresa foi considerada habilitada no quesito técnico. A proposta de preço deverá ser aberta em oito dias. Se o valor ofertado for igual ou superior ao mínimo estipulado em edital para a outorga, que é de R$ 636.544,80, a empresa será considerada vencedora. O contrato deverá ser assinado em meados de outubro.

“Pelo edital, a empresa vencedora terá prazo mínimo de três meses para começar a operar, mas vamos tentar agilizar o processo para que as regiões mais congestionadas tenham o serviço ainda este ano”, afirma o Secretário de Transportes, Alberto Fraga.

Após a assinatura do contrato, pelo cronograma estabelecido, a região Central de Brasília será a primeira a ser contemplada, com 11 estações. O prazo para implantação é de três meses. Em seguida, será a vez da Asa Sul. Num prazo de até seis meses serão instaladas 12 estações. O Parque da Cidade, a Asa Norte e Águas Claras vão receber 10 bicicletários num período de nove meses. Taguatinga e Ceilândia receberão seis cada. O prazo total para implantação do projeto é de 15 meses. (Confira a tabela anexa)

REGIÃO

PRAZO

Nº de Estações

Central

3 (três) meses

11

Asa Sul 6 (seis) meses

12

Parque da Cidade, Asa Norte
e Águas Claras

9 (nove) meses

10

Estações Móveis

12 (doze) meses

05

Taguatinga 15 (quinze) meses

06

Ceilândia

15 (quinze) meses

06


Por um período de cinco anos, prorrogável por mais cinco anos, a empresa vencedora será responsável pela instalação, operação e manutenção das estações. A outorga incluiu ainda a exploração publicitária padronizada nas estações, bicicletas e demais serviços correlatos, remunerável através da locação das bicicletas e da receita adicional de publicidade.

Nos últimos dois anos, o GDF inaugurou 44 km de ciclovias nas cidades de Samambaia (7.5km), Itapoã (6.5km), Jardim Botânico/São Sebastião (12km), Varjão/Paranoá (12km) e DF 001/Barragem Paranoá (2km). As próximas obras em execução são as ciclofaixas, ou sinalização no acostamento, no Lago Sul (69 km) e Lago Norte (19 km), e as ciclovias na DF 079 (8 km), DF 459 (2,6 km), DF 150 (13km) e EPTG (19km). Outros 80 km estão em fase de projeto. A expectativa é de que até o final de 2010 sejam concluídos 300 km de ciclovias.

_,_.___

Fraga: "essa democracia que vocês querem, só na Grécia!"

Divertido encontro entre a Bicicletada e o Secretário de Transportes do Distrito Federal.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pedala-DF: verdade x mito

10 de abril de 2009
Pedala-DF: Promessas, fatos e propaganda
Texto e fotos: Uirá Lourenço


O Pedala-DF é o programa cicloviário criado pelo Governo do Distrito Federal. Com o intuito de promover o transporte por bicicleta, ele tem a meta de criar, até 2010, 600 km de ciclovias.
O sítio do Pedala-DF (http://www.pedala.df.gov.br/) expõe de forma clara a promessa: “Nossa meta é construir, até 2010, a maior malha cicloviária da América Latina, com 600 km de extensão. É muito mais mobilidade, segurança e qualidade de vida para a população.”
Até abril de 2009, foram inaugurados apenas 42 km de ciclovias, 7% do total previsto. Ou seja, ainda faltam 558 km, a serem construídos até o próximo ano.
No dia 22 de março, antes do início da prova Audax 200 em Brasília, foram distribuídos a todos os inscritos dois panfletos do programa cicloviário. Segundo o material impresso, “os acostamentos do Lago Sul e do Lago Norte receberam uma sinalização especial para aumentar a segurança dos ciclistas.”


O texto prossegue: “Os acostamentos receberam marcações vermelhas no piso sempre antes e depois de zonas compartilhadas com automóveis (nas entradas e saídas de quadras e comércios) e com ônibus (nos pontos de ônibus).”




Capa de um dos panfletos distribuídos.


Texto e ilustração dos panfletos.

Apesar de não ser morador dos bairros mencionados, passo eventualmente pela região e havia pedalado por lá no dia do Audax, já que o trajeto incluía as vias do Lago Sul e do Lago Norte. Não havia notado diferença na sinalização dos acostamentos, além das palavras quase apagadas “Atenção Ciclistas”, pintadas em alguns pontos.
De qualquer forma, pedalei na via que percorre o Lago Norte, no dia 09 de abril, e na região do Lago Sul, no dia seguinte. A intenção era encontrar os acostamentos com sinalização especial – marcações vermelhas.



Após vários quilômetros percorridos sob sol forte, eis o resultado:

- LAGO NORTE





Acesso a comércio sem sinalização especial.




Palavras pintadas no acostamento estão apagadas. Supõe-se que as palavras fossem “Atenção Ciclistas”.



Acostamento, calçada e parte de uma das faixas de rolamento bloqueadas por um caminhão.




Falta de sinalização em acesso a quadra residencial causa conflito entre motorista e ciclista.



Drenagem ruim dificulta o tráfego de ciclistas pelo acostamento.




Um dos ciclistas observados durante o percurso. Muitos utilizam bicicleta como meio de transporte.



Uso infantil de bicicletas reforça a importância de investimento em segurança e respeito no trânsito.



Bicicletas estacionadas em árvores ao longo da via confirmam a presença de ciclistas e
a necessidade de investimento em infraestrutura cicloviária.



- LAGO SUL




Buracos, desníveis e falta de qualquer tipo de sinalização no acostamento da via que percorre o Lago Sul.



Crateras presentes no acostamento contrastam com as boas condições da recente pavimentação da pista.


Sinalização horizontal apagada.




Mais um trecho de acostamento em péssimas condições e sem qualquer
sinalização, em contraste com o asfalto liso e as faixas pintadas da pista.


Ponto de ônibus sem marcações vermelhas e com água empoçada em dia ensolarado.




Acesso a um centro comercial sem sinalização especial.


Acostamento com buracos, poças d’água e brita, que dificultam e até impedem o tráfego de bicicletas.



Acesso sem qualquer tipo de sinalização especial para advertir motoristas quanto à presença de ciclistas.



Com base nas pedaladas e no registro fotográfico feito no local, conclui-se que o material impresso, publicado e distribuído pelo GDF, divulgou informações falsas, uma autêntica propaganda enganosa. A despeito da necessidade de maior segurança aos atuais e futuros ciclistas do Distrito Federal – em 2008, 54 ciclistas morreram nas vias do DF –, os acostamentos não receberam sinalização especial. Nas regiões do Lago Norte e do Lago Sul, não há sinalização horizontal nem vertical voltadas aos ciclistas. Sobram buracos, água empoçada e desníveis nos acostamentos.